Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 – Se ensinar é ato da vida ativa ou da contemplativa.

O terceiro discute–se assim. – Parece que ensinar não é ato da vida ativa, mas da contemplativa.

1. – Pois, diz Gregório, que os varões perfeitos, que puderam contemplar os bens celestes, os revelam aos irmãos e lhes acendem as almas no amor da luz interior. Ora, isto é ensinar. Logo, ensinar é ato da vida contemplativa.

2. Demais. – Parece que os atos e os hábitos se reduzem ao mesmo gênero de vida. Ora, ensinar é um ato da sabedoria, pois, como adverte o Filósofo, o sinal do ciente é poder ensinar. Ora, pertencendo a sabedoria ou a ciência à vida contemplativa, parece que também a ela há de pertencer a doutrina.

3. Demais. – Como a contemplação, também a oração é um ato da vida contemplativa. Ora, a oração pela qual oramos por outrem não pertence de nenhum modo à vida contemplativa. Logo, parece que transmitir pela doutrina ao conhecimento de outrem a verdade meditada parece pertencer à vida contemplativa.

Mas, em contrário, Gregório diz: A vida acima consiste em dar o pão a quem tem fome e pela palavra da sabedoria ensinar o ignorante.

SOLUÇÃO. – O ato de ensinar tem duplo objeto, pois, a doutrina há de ser manifestada pela palavra e esta é o sinal audível do conceito interior. – Por onde, um objeto da doutrina é o que constitui a matéria ou o objeto do conceito interior. E, por este objeto, a doutrina ora pertence li vida ativa, ora à contemplativa. A ativa, quando concebemos interiormente uma verdade para, por meio dela, dirigirmos as nossas ações externas. A contemplativa, quando interiormente concebemos uma verdade inteligível na consideração e no amor do qual nos comprazemos. Por isso diz Agostinho: Escolham para si a melhor parte, isto é, da vida contemplativa; exerçam a palavra, abeberem–se da doce doutrina, cultivem a ciência da salvação. O que indica manifestamente pertencer a doutrina li vida contemplativa. – O outro objeto da doutrina diz respeito li palavra audível. E então o objeto da doutrina é a pessoa mesma que ouve. E quanto a este objeto, toda doutrina pertence à vida ativa, à qual pertencem às ações externas.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A autoridade aduzida se refere expressamente à matéria da doutrina, que versa sobre a consideração e o amor da verdade.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Os hábitos e os atos têm o mesmo objeto. Por onde, a objeção manifestamente procede quanto à matéria do conceito interior. Pois, o sábio e o ciente podem ensinar na medida mesma em que podem exprimir por palavras o conceito interior, de modo a conduzir os ouvintes ao conhecimento da verdade.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Quem ora por outrem não se põe em relação com ele, pois, o seu ato se dirige só a Deus, que é a verdade inteligível. Ao passo que quem o ensina, pratica uma ação exterior que a esse outrem diz respeito. Logo, a comparação não colhe.