Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 – Se a diferença dos estados se funda na que há entre os incipientes, os proficientes e os perfeitos.

O quarto discute–se assim. – Parece que a diferença dos estados não se funda na que há entre os incipientes, os proficientes e os perfeitos.

1. – Pois, de gêneros diversos são diversas as espécies e as diferenças. Ora, os graus da caridade se dividem relativamente ao principio, ao progresso e à perfeição, como se disse quando se tratou da caridade. Logo, parece que de acordo com esse tríplice critério deve se fazer a diferença dos estados.

2. Demais. – O estado, como se disse, respeita a condição de servitude ou de liberdade, com que parece não relacionar–se a referida diferença entre incipientes, proficientes e perfeitos. Logo, é esse um critério insuficiente de divisão dos estados.

3. Demais. – Os incipientes, os proficientes e os perfeitos entre si se distinguem por mais e menos, o que é, antes, próprio e essencial ao grau. Ora, uma é a divisão dos graus e outra a dos estados, como se disse. Logo, não se dividem convenientemente os estados pelos incipientes, pelos proficientes e pelos perfeitos.

Mas, em contrário, diz Gregório: Há três sortes de convertidos – os do começo, os do meio e os da perfeição. E comentando a Escritura ensina: Uma é a virtude dos principiantes, outra a dos provectos e outra a dos perfeitos.

SOLUÇÃO. – Como dissemos o estado respeita à liberdade ou à servitude. Ora, na ordem espiritual, há uma dupla servitude e uma dupla liberdade. Uma é a servitude do pecado e outra a da justiça. Do mesmo modo, dupla liberdade – a do pecado e a da justiça, conforme o Apóstolo quando diz: Quando éreis escravos do pecado tostes livres da justiça; mas agora que estais livres do pecado haveis sido feitos servos de Deus. A servitude do pecado ou da justiça consiste na inclinação para o mal pelo hábito do pecado, ou na inclinação para o bem, pelo hábito da justiça. Simultaneamente, a libertação do pecado consiste em dominarmos a inclinação para ele; e há libertação da justiça quando pelo amor dela não evitamos o mal. Contudo, como o homem se inclina à justiça pela sua razão natural, e o pecado vai contra a razão natural, consequentemente a libertação do pecado é a verdadeira liberdade, que vai junto com a servitude da justiça; pois, por uma e por outra busca o homem o que lhe é conveniente. Semelhantemente, a verdadeira servitude é a do pecado, que vai junto com a libertação da justiça, pois, por aquela e por esta o homem se priva do que lhe é próprio. Ora, o tornar–se ele servo da justiça ou do pecado é resultado da sua atividade, conforme o Apóstolo: Seja qual for o a quem vos ofereceis por servos para lhe obedecer, ficais servos do mesmo a quem obedeceis – ou do pecado, para a morte, ou da obediência, para a justiça. Ora, em toda atividade humana devemos distinguir o princípio, o meio e o termo. Por onde e consequentemente, o estado da servitude e da liberdade espiritual distinguem–se entre si por três razões. Pelo princípio, ao qual pertence o estado dos incipientes; pelo meio, ao qual pertence o estado dos proficientes; e, terceiro, pelo fim, ao qual pertence o estado dos perfeitos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A libertação do pecado se opera pela caridade, derramada em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado, no dizer do Apóstolo. Donde vem o dizer ele ainda: Onde há o espírito do Senhor aí ha liberdade. Por onde, será a mesma a divisão da caridade que a dos estados pertinentes à liberdade espiritual.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Quando dividimos os homens nas três categorias – dos incipientes, dos proficientes e dos perfeitos – como formando três classes diferentes, não nos referimos a uma ocupação qualquer dele, mas à concernente à liberdade ou à servitude, como dissemos.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Como se disse nada impede o grau e o estado de convergirem ao mesmo fim. Pois, também na ordem social, os livres não somente têm um estado diferente dos servos, mas também são de outro grau.