Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 11 — Se são convenientemente admitidos três batismos: o de água, o de sangue e o de espírito ou do Espírito Santo.

O undécimo discute-se assim. — Parece que não são convenientemente admitidos três batis­mos: o de água, o de sangue e o de espírito ou do Espírito Santo.

1. — Pois, no dizer do Apóstolo, não há senão uma fé e senão um batismo. Ora, não havendo senão uma fé, não podem portanto haver três batismos.

2. Demais. — O batismo é um sacramento como do sobredito se colhe. Ora, só o batismo de água é sacramento. Logo, não se devem admitir os dois outros batismos.

3. Demais. — Damasceno determina vários outros gêneros de batismos. Logo, não se devem admitir só três.
Mas, em contrário, àquilo do Apóstolo ­Doutrinas sobre o batismo — diz a Glosa: Emprega o plural, porque há o batismo de água, o de penitência e o de sangue.

SOLUÇÃO. — Como dissemos, o batismo de água tira a sua eficácia da paixão de Cristo, com a qual com ele nos configuramos. E depois, como da primeira causa, haure-a no Espírito Santo. Embora, porém o efeito dependa da pri­meira causa, a causa, contudo sobre excede o efeito nem dele depende. – E portanto além do batismo da água, podemos conseguir o efeito do sacramento, em virtude da paixão de Cristo, conformando-nos com essa paixão, sofrendo por ele. Donde o dizer a Escritura: Estes são os que vieram de uma grande tribulação e livraram as suas roupas e as embranqueceram no sangue do cordeiro. — Também pela mesma razão po­demos, por virtude do Espírito Santo, conseguir o efeito do batismo, não só sem o batismo de água como também sem o de sangue — se o Espírito Santo nos mover o coração a crer e a amar a Deus e a nos arrependermos dos peca­dos; e esse também se chama batismo de peni­tência. Do qual diz a Escritura: Quando o Se­nhor alimpar as manchas das filhas de Sião e lavar o sangue do meio de Jerusalém com espí­rito de justiça e com espírito de ardor. Assim pois cada um dos outros batismos se chama tal, por fazer as vezes do batismo. Por isso diz Agostinho: Que o martírio às vezes substitui o batismo, S. Cipriano acha disso uma prova, não sem valor, na promessa do Salvador ao ladrão que contudo não era batizado: Hoje estarás comigo no Paraíso. Quanto a mim, refletindo cada vez mais sobre este assunto, chego à conclusão que o martírio pelo nome de Cristo não é o único meio de suprir o batismo; mas que a fé e a conversão do coração podem chegar ao mesmo resultado, se circunstâncias desfavo­ráveis impedirem a celebração do sacramento.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — ­Os outros dois batismos se incluem no de água, que haure a sua eficácia na paixão de Cristo e do Espírito Santo. O que pois não tira a uni­dade do batismo.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Como dissemos o sa­cramento é por natureza um sinal. Ora os outros dois batismos convêm com o batismo de água, não pela razão de sinal, mas pelos efeitos que produzem. E portanto não são sacramentos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Os batismos de que fala Damasceno, não o são senão figuradamente. Tal, o dilúvio, que foi um sinal do nosso batismo, quanto à salvação dos fiéis na Igreja, assim como poucas pessoas se salvaram na arca, no dizer da Escritura — Fala também na passagem do mar Vermelho, símbolo do nosso batismo, quanto à liberação da servitude do pecado. Donde o dizer o Apóstolo: Todos foram batizados na nuvem e no mar. — Acrescenta ainda as ablu­ções diversas que se faziam na lei Velha, que prefiguravam o nosso batismo quanto à purificação dos pecados. — E enfim, o batismo de João, preparatório do nosso.