Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 7 — Se da parte do batizado é necessário a intenção de receber o sacramento do batismo.

O sétimo discute-se assim. — Parece que da parte do batizado não é necessária a intenção de receber o sacramento do batismo.

1. — Pois, o batizado se comporta como paciente no sacramento. Ora, a intenção é neces­sária da parte do agente e não da do paciente. Logo, parece que da parte do batizado não é necessária a intenção de receber o batismo.

2. Demais. — Se se omitir um elemento essencial do batismo, por exemplo, a invocação trinitária é preciso renovar o batismo como se disse. Ora, ninguém deve ser rebatizado por não ter tido a intenção de receber o batismo. Do contrário, como não se pode julgar da intenção do batizado, qualquer poderia pedir que, por falta de intenção, se lhe reiterasse o batismo. Logo, parece que não é necessária a intenção, da parte do batizado, para receber o batismo.

3. Demais. — O batismo é remédio contra o pecado original. Ora, o pecado original se con­trai sem intenção do nascido. Logo, parece que o batismo não requer a intenção, por parte do batizado.

Mas, em contrário, segundo o rito da Igreja os que se apresentam ao batismo confessam que o pedem à Igreja. E assim revelam a intenção de recebê-lo.

SOLUÇÃO. — Pelo batismo morremos à vida passada do pecado e começamos vida nova, se­gundo aquilo do Apóstolo: Nós fomos sepultados com Cristo para morrer ao pecado pelo batismo; para que como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Padre, assim também nós andemos em novidade de vida. Portanto, assim como para morrermos à vida passada é necessária, em quem tem o uso do livre arbítrio, segundo Agostinho, a vontade pela qual se arrependa da antiga vida, assim também é necessária a vontade de come­çar uma vida nova, cujo princípio é o fato mes­mo de receber o sacramento. Por isso, da parte do batizado, é necessária à vontade ou a intenção de receber o sacramento.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — ­Na justificação pelo batismo a paixão não é coacta, mas voluntária. Por isso é necessária a intenção de receber o que é dado.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O adulto que não tivesse a intenção de receber o batismo devia ser rebatizado. Se porém não se lhe soubesse da intenção se lhe deveria dizer: Se não és batizado eu te batizo.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O batismo não só é um remédio contra o pecado original, mas tam­bém contra os atuais, causados pela vontade e pela intenção.