Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 5 — Se se consideram convenientemente efeitos do batismo certos a dos de virtudes: a incorporação com Cristo, a iluminação e a fecundidade espiritual.

O quinto discute-se assim. — Parece que inconvenientemente se consideram efeitos do ba­tismo certos atos de virtudes: a incorporação com Cristo, a iluminação e a fecundidade espi­ritual.

1. — Pois, o batismo só é conferido ao adulto, quando tem fé, segundo aquilo do Evangelho: O que crer e for batizado será salvo. Ora, pela fé nos incorporamos com Cristo, segundo o Após­tolo: Para que Cristo habite pela fé em vossos corações. Logo, ninguém é batizado, que já não esteja incorporado com Cristo. Portanto, não é efeito do batismo incorporar com Cristo.

2. Demais. — A iluminação se dá pela doutrina segundo o Apóstolo: A mim que sou o mínimo de todos os santos me foi dada esta graça de anunciar a todos, etc. Ora, o ensino catequético precede ao batismo. Logo, não é efeito dele.

3. Demais. — A fecundidade é efeito da geração ativa. Ora, o batismo nos regenera es­piritualmente. Logo, a fecundidade espiritual não é efeito do batismo.

Mas, em contrário, diz Agostinho, que é efeito do batismo incorporar os batizados com Cristo. E Dionísio também atribui a iluminação ao batismo. E àquilo da Escritura – A uma água da rejeição – diz a Glosa: A alma dos pecadores, estéril pela aridez, é fecundada pelo batismo.

SOLUÇÃO. — O batismo nos faz renascer para a vida espiritual, própria dos fiéis de Cris­to, como o diz o Apóstolo: Se eu vivo agora em carne, vivo na Fé do Filho de Deus. Ora, só vivem os membros unidos à cabeça, donde rece­bem a sensibilidade e o movimento. Por onde e necessàriamente, o batismo nos incorpora com Cristo quase membros dele. – Assim como da cabeça, no sentido natural, deriva para os mem­bros a sensibilidade e o movimento, assim da cabeça espiritual, que é Cristo, deriva para os seus membros o senso do espiritual, consistente no conhecimento da verdade, e o movimento espiritual, por inspiração da graça. Donde o dizer o Evangelho: Nós o vimos cheio de graça e de verdade e todos nós participamos da sua plenitude. Por onde e conseqüentemente, hão ­de os batizados ser iluminados por Cristo no concernente ao conhecimento da verdade, e por ele fecundados para a fecundidade das boas obras, pela infusão da graça.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Pela fé que lhes precede o batismo, os adultos são incorporados com Cristo mentalmente. Mas depois, quando batizados, de certo modo são in­corporados com ele corporalmente, isto é, pelo sacramento visível, sem o desejo do qual nem mesmo a incorporação espiritual lhes seria pos­sível.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Quem ensina ilumi­na externamente pelo ministério catequético; mas Deus ilumina interiormente os batizados, preparando-lhes o coração para receber a dou­trina da verdade, segundo aquilo do Evangelho: Escrito está nos Projetas – Serão todos ensina­dos de Deus.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Considera-se efeito do batismo a fecundidade pela qual praticamos as boas obras; mas não a pela qual geramos outros para Cristo, como o diz o Apóstolo: Eu vos gerei em Jesus Cristo pelo Evangelho.