Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 7 — Se o batismo produz o efeito de se abrirem as portas do céu.

O sétimo discute-se assim. — Parece que o batismo não produz o efeito de se abrirem as portas do céu.

1. — Pois, o que já está aberto não precisa de o ser. Ora, as portas do céu foram abertas pela paixão de Cristo, conforme àquilo da Escritura: Depois disto olhei e vi uma porta aberta no céu. Logo, o batismo não produz o efeito de abrir as portas do céu.

2. Demais. — O batismo, desde a sua instituição, produz em todos os tempos o seu efeito. Ora, certos receberam o batismo de Cristo, antes da paixão de Cristo, como o refere o Evangelho. E a esses, se então morressem, ainda não se lhes abriria a entrada do reino celeste, onde ninguém entrou antes de Cristo, segundo aquilo da Es­critura: Aquele que lhes há de abrir o caminho irá diante deles. Logo, o batismo não produz o efeito de abrir as portas do céu.

3. Demais. — Os batizados estão ainda expostos à morte e às outras penalidades da vida presente, como se disse. Ora, a ninguém foi franqueada a entrada do reino celeste, enquanto sujeito à pena, como o demonstra o caso dos que estão no purgatório. Logo, o efeito do ba­tismo não é a abertura das portas do reino celeste.

Mas, em contrário, àquilo do Evangelho: ­Abriu-se o céu – diz a Glosa de Beda: Isto ma­nifesta a virtude que tem o batismo de abrir as portas do reino dos céus a quem o recebeu.

SOLUÇÃO. — Abrir as portas do reino celeste é remover o obstáculo que nos impede entrar nele. E esse obstáculo é a culpa e o reato da pena. Ora, como já dissemos, o batismo dele toda culpa e todo reato da pena. Por onde e consequentemente, o batismo produz o efeito de abrir as portas do reino celeste.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — ­O batismo abre ao batizado as portas do reino celeste, pelo incorporar com a paixão de Cristo, aplicando-lhe a virtude desta.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Quando a paixão de Cristo ainda não estava consumada, só existin­do na fé dos crentes, o batismo produzia de acordo com ela a abertura das portas, não real­mente, mas em esperança. Pois então os bati­zados, morriam na certeza da esperança de ha­verem de entrar no reino celeste.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O batizado não está exposto à morte e às penalidades da vida pre­sente por causa do reato da pena, mas pela condição da natureza. Por isso não fica impedido de entrar no reino celeste, quando a alma se separar do corpo pela morte, sendo por assim dizer pago o devido à natureza.