Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 — Se o crisma é a matéria conveniente deste sacramento.

O segundo discute-se assim. — Parece que a crisma não é a matéria conveniente deste sacra­mento.

1. — Pois, este sacramento foi instituído por Cristo, quando prometeu aos discípulos o Espírito Santo. Ora, ele próprio enviou-lhes o Espírito Santo sem fazer nenhuma unção do Crisma. E também os Apóstolos conferiam este sacramen­to pela só imposição das mãos, sem crisma. Assim, diz a Escritura, que os Apóstolos punham as mãos sobre os batizados e estes recebiam o Espírito Santo. Logo, o crisma não é a matéria deste sacramento, porque a matéria é necessária para o sacramento ser válido.

2. Demais. — A confirmação de certo modo completa o sacramento do batismo, como se disse; e assim deve conformar-se com ele como a perfeição com o perfectível. Ora, a matéria do batismo é a água, elemento simples. Logo, a crisma, feito de óleo e de bálsamo, não é a ma­téria conveniente deste sacramento.

3. Demais. — O óleo é tomado, na matéria deste sacramento, para ungir. Ora, com qualquer óleo se pode ungir, por exemplo, com o óleo de nozes ou de qualquer outra matéria. Logo, não é só o óleo de azeitonas que deve ser tomado para esse sacramento.

4. Demais. — Como se disse, a água é to­mada como matéria para o batismo, porque em toda parte se encontra facilmente. Ora, o óleo de azeitonas não se encontra em toda parte, e muito menos o bálsamo. Logo, a crisma, com­posto dessas duas matérias, não é a matéria con­veniente deste sacramento.

Mas, em contrário, Gregório diz: Os sacerdotes não se permitam assinalar com o santo crisma a fronte das crianças que acabam de ser batizadas. Logo, a crisma é a matéria deste sa­cramento.

SOLUÇÃO. — A crisma é a matéria convenien­te deste sacramento. Pois, como se disse, ele confere a plenitude do Espírito Santo, para ter­mos a força espiritual da idade perfeita. Ora, quando chegamos à idade perfeita, já começamos a comunicar com os outros pelos nossos atos, ao passo que antes como que vivíamos particular­mente só para nós. Ora, a graça do Espírito Santo é significada pelo óleo; por isso a Escritura diz que Cristo foi ungido com o óleo da alegria, por causa da plenitude do Espírito Santo, que tinha. Por isso é o óleo a matéria própria deste sacramento. Mas é misturado com o bálsamo por causa da fragrância do odor que este exala. Donde o dizer o Apóstolo: Somos o bom odor de Cristo. E embora haja muitas outras matérias odoríferas, contudo o bálsamo é preferido pela excelência do seu perfume e por ser incorruptível. Dai o dizer na Escritura: A minha fragrância é como a do bálsamo sem mistura.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Cristo pelo seu poder de excelência comunicou aos Apóstolos, sem intermediário do rito sacra­mental, o fruto da confirmação, que é a pleni­tude do Espírito Santo, porque, como diz o Após­tolo, eles receberam as primícias do Espírito Santo. — Contudo, os sinais exteriores que acom­panharam essa colação aos Apóstolos não foram sem analogia com a matéria deste sacramento. Pois, o fato de ter o Espírito Santo descido sen­sivelmente sobre eles em forma de fogo, prende-­se à mesma significação a que se prende o óleo: salvo que o fogo tem uma virtude ativa, e o óleo, passiva, enquanto matéria e fomento do fogo. Diferença bastante legitima, pois, pelos Apóstolos a graça do Espírito Santo devia deri­var para os outros. — Também sobre os Apóstolos o Espírito Santo desceu em forma de língua, o que se prende à mesma significação, que signi­ficava o bálsamo. Salvo que a língua nos põe em comunicação com outrem pela locução, e o bál­samo pelo odor. Porque os Apóstolos foram cheios do Espírito Santo como doutores da fé, ao passo que os outros fiéis, como causadores da edificação dos fiéis. — Semelhantemente, pela imposição das mãos dos Apóstolos bem como pela pregação deles, a plenitude do Espírito Santo descia sobre os fiéis sob sinais visíveis, como no princípio descera sobre os Apóstolos. Por isso Pedra diz: Como eu tivesse começado a falar, desceu o Espírito Santo sobre eles, assim como tinha descido sobre nós no princípio. — Por onde, não era necessária uma sensível matéria sacra­mental, quando eram miraculosamente manifes­tados sinais sensíveis da divindade. — Mas os Apóstolos usavam comumente da crisma ao con­ferir o sacramento, quando não se manifesta­vam esses sinais sensíveis. Assim, diz Dionísio: Há uma operação perfectiva, a que os nossos chefes, isto é, os Apóstolos, chamam hóstia do crisma.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O batismo é confe­rido para alcançarmos pura e simplesmente a vida espiritual; por isso a matéria desse sacra­mento deve ser simples. Mas esse sacramento é conferido para conseguirmos a plenitude do Es­pírito Santo, cuja operação é multiforme, segun­do aquilo da Escritura: Há nele um espírito de inteligência santo, único, múltiplice. E o Após­tolo: Há, pois, repartição de graças, mas um mesmo é o Espírito. Por isso, a matéria desse sacramento é acertadamente composta.

RESPOSTA À TERCEIRA. — As propriedades do óleo, que significam o Espírito Santo, se encon­tram antes no óleo da oliveira do que em qual­quer outro óleo. Por isso a própria oliveira, de frondes sempre viridentes, significa a viridência e a misericórdia do Espírito Santo. – Demais, esse óleo é o óleo por excelência e o empregado de preferência em toda parte onde é encontrado. E qualquer outro licor é chamado óleo por semelhança com ele; nem é de uso comum senão como suplemento para aqueles a quem falta o óleo da oliveira. Por isso esse óleo só é o usado neste e em certos outros sacramentos.

RESPOSTA À QUARTA. — O batismo é um sa­cramento de absoluta necessidade, por isso a sua matéria deve ser encontrada em toda parte. Mas basta que a matéria deste sacramento, que não é de tão grande necessidade, possa ser le­vada facilmente a todos os lugares da terra.