Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 9 — Se deve-se conferir a confirmação na fronte.

O nono discute-se assim. — Parece que não se deve conferir este sacramento na fronte.

1. — Pois, este sacramento é um comple­mento do batismo, como se disse. Ora, o sacra­mento do batismo é conferido em todo o corpo. Logo, este não deve ser conferido só na fronte.

2. Demais. — O fim deste sacramento é robustecer-nos espiritualmente, como se disse. Ora, a robustez espiritual reside sobretudo no coração. Logo, este sacramento devia ser con­ferido antes sobre o coração que na fronte.

3. Demais. — Este sacramento nos é con­ferido para confessarmos livremente a fé de Cristo. Mas com a boca se faz a confissão para conseguir a salvação, como diz o Apóstolo. Logo, este sacramento deve ser conferido antes ao re­dor da boca que na fronte.

Mas, em contrário Rabano diz: O batizado é assinalado com crisma no alto da cabeça pelo sacerdote, mas pelo pontífice na fronte.

SOLUÇÃO. — Como dissemos este sacramento nos faz receber o Espírito Santo para nos tornar robustos no combate espiritual, a fim de também confessarmos valorosamente à fé entre os adver­sários da fé de Cristo. Por onde, conveniente­mente é assinalado na fronte com a crisma o sinal da cruz, por duas razões. – Primeiro por­que, como o soldado é marcado com o sinal do chefe, nós devemos sê-lo com o da cruz, o qual deve ser visível e manifesto. Ora, dentre todos os lugares do corpo humano, a fronte é a mais aparente, que, por assim dizer, nunca se cobre. Por isso o confirmado é ungido na fronte com o crisma a fim de mostrar·se manifestamente cris­tão; assim como os Apóstolos, depois de terem recebido o Espírito Santo se manifestaram, que antes estavam escondidos no cenáculo. – Se­gundo, porque duas causas nos impedem de confessarmos livremente o nome de Cristo, a saber, o temor e a vergonha. Ora, essas duas paixões se manifestam particularmente na fronte, por causa da vizinhança da imaginação e porque os espíritos vitais sobem diretamente do coração à fronte. Por isso os envergonhados enrubescem ao passo que os amedrontados empalidecem como diz Aristóteles. Por onde, o confirmado é assinalado na fronte com a crisma para não fugir a confessar o nome de Cristo, nem por temor nem por vergonha.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — O batismo nos faz renascer para a vida espiri­tual, que abrange o homem na sua totalidade. Ao passo que a confirmação nos fortalece para o combate, cujo sinal devemos trazer na fronte, como num lugar visível.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O principio da for­taleza está no coração, mas o sinal se manifesta na fronte. Por isso, diz a Escritura: Eis – aí te dei eu uma cara mais de aço que as suas caras. Por isso, O sacramento da Eucaristia, que nos firma dentro de nós mesmos, é o sacramento do coração, conforme àquilo da Escritura: O pão alegra o coração do homem. Mas, o sacramento da confirmação requer um sinal de fortaleza, em relação aos outros. Por isso é posto na fronte.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Este sacramento é conferido para confessarmos livremente a fé; não porém para confessá-la pura e simplesmente, porque esse é o efeito do batismo. Por isso não devem ser assinalado na boca, mas na fronte, onde se manifestam os sinais das paixões que nos impedem a livre confissão.