Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 8 — Se a água deve ser misturada em grande quantidade.

O oitavo discute-se assim. — Parece que a água deve ser misturada em grande quantidade.

1. — Pois, assim como o sangue correu sensivelmente do lado de Cristo, assim também a água. Ora, a água não poderia ser misturada sen­sivelmente neste sacramento, senão em grande quantidade. Logo, parece que a água deve ser misturada em grande quantidade.

2. Demais. — Pouca água, misturada a muito vinho, corrompe-se. Ora o que está cor­rupto não existe. Logo, por pouca água neste sacramento é o mesmo que não pôr nada. Ora não é lícito não pôr nada. Logo, não é lícito pôr pou­ca água.

3. Demais. — Se bastasse acrescentar pou­ca água, seria por conseqüência suficiente derramar uma gota de água em toda uma pipa de vi­nho. Ora, isto é ridículo. Logo, não basta mistu­rar uma pequena quantidade de água.

Mas, em contrário, uma disposição canônica reza: No teu país introduziu-se o abuso pernicio­so de pôr, no sacrifício, mais quantidade de água que de vinho; sendo, ao contrário, o uso comum da Igreja universal, pôr mais vinho que água.

SOLUÇÃO. – Sobre a água misturada com o vinho, como o diz Inocêncio III numa Decretal, há tríplice opinião. Assim, uns dizem que a água misturada com o vinho permanece água, quando o vinho se converte em sangue. – Mas esta opi­nião não pode sustentar-se. Porque no sacra­mento do Altar, depois da consagração, não há senão o corpo e o sangue de Cristo. Pois, diz Ambrósio: Antes da bênção há uma espécie que, depois da consagração, se transforma no corpo de Cristo. Do contrário, este não seria adorado com a veneração de latria. E por isso outros opinaram que assim como o vinho se converte em sangue, assim a água se converte na água que correu do corpo de Cristo. – Mas isto não se pode dizer com razão. Por­que, se assim fosse, a água separadamente do vinho seria consagrada, como o vinho separada­mente do pão. Por onde, como o mesmo Inocêncio III diz, é mais provável a opinião de outros, que dizem que a água se converte em vinho e o vinho em sangue. Mas isto não pode dar-se a não ser que se misturasse tão pouca água, que se conver­tesse em vinho. Por isso é sempre mais seguro pôr pouca água, sobretudo sendo fraco o vinho; pois, se se pusesse tanta água que desaparecesse a espécie do vinho, não se poderia celebrar o sa­cramento. Donde o repreender Júlio Papa (I) a certos que conservam durante o ano um pano de linho tinto de mosto· e na ocasião do sacrifí­cio lavam com água uma parte dele e assim sacrificam.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Basta para a significação deste sacramento sen­tir-se que a água é misturada com o vinho; mas não é preciso que ainda a percebamos depois da mistura.

RESPOSTA À SEGUNDA. —Se a água fosse totalmente excluída, excluída de todo também ficaria a significação; mas, a conversão da água no vinho significa a incorporação do povo com Cristo.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O fato de se pôr água numa pipa de vinho, não bastaria à significação deste sacramento: mas é necessário mis­turá-la com o vinho na celebração mesma do sacramento.