Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 — Se sob uma e outra espécie deste sacramento Cristo está contido totalmente.

O segundo discute-se assim. — Parece que sob uma e outra espécie deste sacramento Cristo não está totalmente contido.

1. — Pois, este sacramento se ordena à salvação dos fiéis, não em virtude das espécies, mas em virtude do que está nelas, contido. Porque as espécies já existiam antes da consagração, donde tira este sacramento a sua virtude. Se, portanto, nada contém uma espécie que também não con­tenha a outra, mas Cristo está totalmente numa e noutro, resulta ser inútil uma delas neste sa­cramento.

2. Demais. — Como se disse, na denomina­ção de carne estão contidas todas as outras partes do corpo, como os ossos, os nervos e outras semelhantes. Ora, o sangue é uma das partes do corpo humano, como está claro em Aristóteles. se pois, o sangue de Cristo está contido na es­pécie do pão, assim como nele estão conti­das as outras partes do corpo, não deveria o sangue ser consagrado separadamente, assim como não é consagrada separadamente a outra parte do corpo.

3. Demais. — O já feito não pode sê-lo de novo. Ora, o corpo de Cristo já começou a existir neste sacramento pela consagração do pão. Logo não pode começar a existir de novo pela consa­gração do vinho. E assim, na espécie do vinho não estará contido o corpo de Cristo e, por consequência, nem todo Cristo. Logo, sob uma e outra espécie não esta contido, Cristo totalmente.

Mas, em contrário, àquilo do Apóstolo – o cálice – diz a Glosa: sob uma e outra espécie, isto é, do pão e do vinho, tomamos o mesmo Cristo. Donde se conclui que Cristo está totalmente sob uma e outra espécie.

SOLUÇÃO. — Devemos ter certissímamente que sob uma e outra espécie está todo Cristo. Mas de modos diferentes. Assim, sob as espécies do pão está o corpo de Cristo por força do sa­cramento; e o sangue, por concomitância real, como dissemos quando tratamos da alma e da divindade de Cristo. De outro lado sob as espé­cies do vinho está o sangue de Cristo, por força do sacramento, e o corpo de Cristo, por concomi­tância real, como a alma e a divindade. Porque, no sacramento o sangue de Cristo não lhe está separado do corpo, como o esteve no tempo da paixão e da morte. Por onde, se então fosse este sacramento celebrado, sob as espécies do pão es­taria o corpo de Cristo, sem o sangue; e sob as espécies do vinho, o sangue sem o corpo, como o era da realidade das coisas.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Embora Cristo esteja totalmente sob uma e outra espécie, contudo nenhuma delas é inútil. – Primeiro porque serve de representar a paixão de Cristo, em que o sangue se separou do corpo. Por isso, na forma da consagração do sangue se faz menção da sua efusão. – Segundo tal é con­veniente ao uso deste sacramento, a fim de ser dado separadamente aos fiéis – o corpo de Cristo, como comida e o sangue como bebida. ­Terceiro, quanto ao efeito, pois, como dissemos, o corpo é dado para a salvação do nosso corpo e sangue, para a salvação da alma.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Na paixão de Cristo de que este sacramento é o memorial, não houve outras partes do corpo separadas das demais como, o sangue; mas o corpo permaneceu na sua integridade, conforme àquilo da Escritura: Por isso, neste sacramento o sangue é consagrado separadamente do corpo, mas não outra parte qualquer, separada do conjunto.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Como dissemos o corpo de Cristo não está sob a espécie do vinho, por força do sacramento, mas por concomitância real. Por onde depois de consagrado o vinho aí não está o corpo de Cristo por si mesmo, mas por concomitância.