Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 — Se as três partes referidas são partes integrantes da penitência.

O terceiro discute-se assim. — Parece que as três partes referidas não são partes integran­tes da penitência.

1. — Pois, a penitência, como se ordena con­tra o pecado. Ora, o pecado de coração de boca e de obras são partes subjetivas do pecado e não partes integrantes; pois, qualquer delas se chama pecado. Logo, também a contrição do coração, a confissão oral e a obra satisfatória não são partes integrantes da confissão.

2. Demais. — Nenhuma parte integrante compreende em si outras partes que se dela dis­tinguem. Ora, a contrição contém em si a con­fissão e o propósito da satisfação. Logo, não são partes integrantes.

3. Demais. — O todo se constitui, simultâ­nea e igualmente, das suas partes integrantes; assim, a linha, das suas partes. Ora, tal não se dá no caso vertente. Logo, os referidos elemen­tos não são partes integrantes da penitência.

Mas, em contrário. – Partes integrantes se chamam aquelas com que se completa a perfei­ção do todo. Ora, as três partes referidas inte­gram a perfeição mesma da penitência. Logo são partes integrantes da penitência.

SOLUÇÃO. — Certos consideraram essas três partes como partes subjetivas da penitência. ­Mas isto não pode ser. Porque cada parte subjetiva encerra igual e simultaneamente, a vir­tude do todo; assim tudo o existente de poder ativo na animalidade, como tal, se manifesta em cada uma das espécies animais, que são si­multânea e igualmente as divisões do gênero animal. O que não se dá com o nosso caso. Por isso outros disseram que são partes potenciais. – O que também não pode ser verdade. Porque em cada parte potencial está o todo na totalidade da sua essência; assim a essência total da alma está em qualquer das suas potên­cias. O que não se dá no caso vertente. Donde se conclui, que as referidas partes são partes integrantes da penitência; e a essência delas exige, que o todo não esteja em cada uma das partes, nem na totalidade da sua virtude, nem na totalidade da sua essência, mas em to­das simultaneamente.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — O pecado, sendo por essência mau pode consu­mar-se na desordem de um só dos elementos dos nossos atos, como dissemos. Por isso, o pecado que se consuma só no coração, é uma espécie de pecado. Outra espécie é a do que se consuma por palavras e por obras. E a terceira espécie é a do que se consuma no coração e por obras. E de tal pecado as como partes integrantes são as que se consumam no coração, por palavras e pelas obras. Ora, o mesmo passa com a penitência, que tem, como partes integrantes, o que lhe advém do coração, da boca e das obras.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Uma parte integran­te pode conter o todo, embora, não na sua essên­cia; pois, os alicerces contêm de certo modo todo o edifício, virtualmente. E é desta maneira que a contrição abrange virtualmente toda a peni­tência.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Todas as partes in­tegrantes ordenam-se umas para as outras, de certo modo. Mas umas ocupam uma ordem ape­nas local, quer se sigam umas às outras, como as partes de um exército; quer se toquem como as partes de um acervo; quer constituam um conjunto, como as partes de uma casa; quer formem uma continuidade, como as partes de uma linha. Mas outras partes supõem, além dessa, uma ordem de virtudes ativas, como as partes de um animal, das quais a primeira em virtude ativa é o coração, dependendo as outras, entre si, numa certa ordem de virtudes ativas. A terceira ordenação de partes é a temporal, como as partes do tempo e do movimento. Por onde, as partes da penitência mantêm entre si uma ordem de virtudes ativas e de tempo, que são os atos; mas não uma ordem de situação, porque não têm posição.