Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 — Se a penitência está convenientemente dividida em penitência anterior ao batismo, penitência dos pecados mortais e penitência dos pecados veniais.

O quarto discute-se assim. — Parece que a penitência está inconvenientemente dividida em penitência anterior ao batismo, penitência dos pecados mortais e penitência dos pecados ve­niais.

1. — Pois, a penitência é a segunda tábua depois do batismo, como se disse; sendo o ba­tismo a primeira tábua. Logo, o que é anterior ao batismo não deve ser considerado espécie da penitência.
2. Demais. — O que pode destruir o mais também pode destruir o menos. Ora, o pecado mortal é maior pecado que o venial. Logo, a penitência dos pecados mortais também serve para os veniais. Portanto, não se devem distin­guir diversas espécies de penitência.

3. Demais. — Assim como depois do batis­mo pecamos venial e mortalmente, assim também antes do batismo. Se, portanto, antes do batismo, distingue-se a penitência dos pecados veniais da dos mortais, pela mesma razão deve­mos fazer essa distinção antes do batismo. Logo, a penitência não se divide convenientemente nas três espécies referidas.

Mas, em contrário, Agostinho dá as três referidas espécies de penitência.

SOLUÇÃO. — Essa divisão é da penitência como virtude. Ora, devemos considerar que qualquer virtude regula a sua ação pelas exigências da circunstância de tempo, como das outras circunstâncias. Donde, também a virtu­de da penitência se conforma atualmente com as prescrições da Lei Nova. Ora, pertence à pe­nitência fazer-nos detestar os pecados passados, com o propósito de começar uma vida melhor, que é como o fim da penitência. E como os atos morais se especificam pelo fim, como esta­belecemos na Segunda Parte, resulta por conseqüência que as diversas espécies de penitência se deduzem das diversas mudanças que o penitente tem em vista. Ora, há uma tríplice mu­dança que o penitente pode visar. – A primeira, renascer para uma vida nova. E isso pertence à penitência anterior ao batismo. – A segunda mudança é a reforma da vida passada já cor­rompida. E isso pertence à penitência dos pe­cados mortais, depois do batismo. – A terceira mudança é para uma vida de atividade mais perfeita. E isso pertence à penitência dos pe­cados veniais, que se perdoam por um fervoroso ato de caridade, como dissemos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — A penitência anterior ao batismo não é sacramento, mas um ato de virtude preparatório ao sacramento do batismo.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A penitência, que apaga os pecados mortais, apaga também os ve­niais, mas não ao inverso. Por isso essas duas espécies de penitência estão entre si como o per­feito para o imperfeito.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Antes do batismo não há pecados veniais nem mortais. E como o venial não pode ser perdoado sem que o seja o mortal, como dissemos, por isso, antes do batis­mo não se distingue entre penitência dos pecados mortais e dos veniais.