Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 6 ─ Se todos os elementos serão purificados pelo fogo da conflagração final.

O sexto discute-se assim. ─ Parece que nem todos os elementos serão purificados pelo fogo da conflagração final.

1. ─ Pois, esse fogo, como já disse, não subirá senão quanto subiu a água do dilúvio. Ora, a água do dilúvio não subiu até a esfera do fogo. Logo, na purificação última, não será purificado o elemento do fogo.

2. Demais. ─ Àquilo da Escritura ─ Vi um céu novo, etc. ─ diz a Glosa: Não há dúvida que as transformações do ar e da terra se farão pelo fogo. Mas há dúvidas quanto à água, porque, segundo se crê, ela por si mesma se purificará. Logo, pelo menos não é certo que todos os elementos serão purificados.

3. Demais. ─ O lugar de perpétua impureza nunca será purificado. Ora, o inferno será sempre o lugar da impureza. Logo, como está colocado entre os elementos, parece que não serão totalmente purificados.

4. Demais. ─ O paraíso terrestre está colocado na terra. Ora, não será purificado pelo fogo, porque nem mesmo as águas do dilúvio subiram até lá, como diz Beda e o Mestre das Sentenças. Logo, parece que nem todos os elementos serão totalmente purificados.

Mas, em contrário, a Glosa supra-citada: Os quatro elementos o fogo os consumirá.

SOLUÇÃO. ─ Certos ensinam, que o fogo da última conflagração subirá até o mais alto do espaço, que contém os quatro elementos. De modo que estes serão totalmente purificados, tanto da contaminação do pecado, que atingiu também as partes superiores deles ─ como o demonstra o fumo dos sacrifícios idolátricos, que atingiu essas partes superiores ─, como também da corrupção, porque os elementos são corruptíveis em todas as suas partes. ─ Mas esta opinião repugna à autoridade da Escritura. Porque, segundo a Escritura, aqueles céus serão de novo purificados pelo fogo, que já o foram pela água. E Agostinho diz, que o mundo afogado pelo dilúvio será de novo purificado pelo fogo. Ora, sabemos que a água do dilúvio não subiu até o espaço supremo dos elementos, mas só até quinze côvados acima do cume dos montes. Além disso, é sabido que os vapores evaporados da terra, ou quaisquer fumos não podem ultrapassar a esfera do fogo, até chegar ao ponto extremo dela. E ainda, a contaminação do pecado não atingiu esse espaço referido. Demais, os elementos não podem ser purificados da sua corruptibilidade perdendo alguma parte, capaz de ser consumida pelo fogo; mas este poderá consumir-lhes as impurezas, resultante da mistura de uns com os outros. Ora, essas impurezas se encontram sobretudo na terra, até a região média do ar. Por onde, o fogo da última conflagração purificará os elementos até esse espaço. Pois, a tal altura ascenderam as águas do dilúvio; o que podemos avaliar com probabilidade, considerando a altura dos montes, a que acima dos seus cumes galgaram as águas.

Por isso, concedemos a primeira objeção.

RESPOSTA A SEGUNDA. ─ A razão da dúvida a Glosa a refere quando diz ─ porque, segundo se crê, a água tem em si mesmo a virtude de se purificar. Mas essa virtude não é tal que lhe possa dar à água a perfeição que deve ter no futuro estado de cousas, como do sobredito resulta.

RESPOSTA A TERCEIRA. ─ O fim principal dessa purificação será remover da habitação dos santos toda imperfeição. Por isso, depois dela, tudo o que for impuro será atirado para o receptáculo dos condenados. E assim, longe de ser purificado, o inferno será o depositário de todas as impurezas do universo.

RESPOSTA A QUARTA. ─ Embora o pecado do primeiro homem tivesse sido cometido no paraíso o terrestre, contudo esse lugar não foi o do homem pecador, como o céu empíreo não foi o dos maus anjos. Pois, de ambos esses lugares tanto o homem como o diabo foram expulsos imediatamente depois do pecado. Por isso não precisam tais lugares de ser purificados.