Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 7 ─ Se o fogo da última conflagração deve seguir-se ao juízo.

O sétimo discute-se assim. ─ Parece que o fogo da última conflagração deve seguir-se ao juízo.

1. ─ Pois, Agostinho, enumerando as causas que se passarão no juízo, diz: No juízo final se darão os seguintes acontecimentos ─ a vinda de Elias Tesbita, a conversão dos Judeus, a perseguição pelo anticristo, o juízo de Cristo, a ressurreição dos mortos, a separação entre os bons e os maus, a conflagração do mundo e a sua renovação. Logo, a conflagração sucederá ao juízo.

2. Demais. ─ Agostinho diz no mesmo livro: Julgados os ímpios e precipitados no fogo eterno, a figura neste mundo passará pelo abrasamento geral do fogo que encerra. Logo, a mesma conclusão anterior.

3. Demais. ─ O Senhor quando vier julgar encontrará muitos vivos, como se conclui do seguinte, que deles diz o Apóstolo: Depois, nós outros, que vivemos, que temos ficado aqui para a vinda do Senhor, etc. Ora, isto não se daria, se a conflagração do mundo precedesse, porque então esses tais seriam consumidos pelo fogo. Logo, o fogo será posterior ao juízo.

4. Demais. ─ A Escritura diz, que o Senhor virá julgar o mundo pelo fogo. Portanto, parece que a conflagração final será a execução da sentença ou do juízo divino. Ora, a execução é posterior ao juízo. Logo, o fogo sucederá ao juízo.

Mas, em contrário, a Escritura: Fogo irá diante dele.

2. Demais. ─ A ressurreição precederá ao juízo; aliás nem todos os olhos assistiriam ao juízo de Cristo. Ora, a conflagração do mundo precederá à ressurreição. Além disso, os santos ressurrectos terão corpos espirituais e impassíveis; e assim não poderão ser purificados pelo fogo, embora o Mestre diga, fundado em Agostinho, que pelo fogo do juízo final será purificado o que ainda possam ter de impuro. Logo, esse fogo precederá ao juízo.

SOLUÇÃO. ─ A conflagração final, no seu inicio, realmente precederá ao juízo. O que manifestamente pode concluir-se do fato de o preceder a ressurreição dos mortos, conforme ao lugar do Apóstolo: Os que ficamos aqui seremos arrebatados nas nuvens juntamente com Cristo, vindo para julgar. Ao mesmo tempo haverá a ressurreição geral e a glorificação dos corpos dos santos. Pois, os santos ressurrectos retomarão seus corpos gloriosos, como se conclui das palavras do Apóstolo: Semeia-se em vileza, ressuscitará em glória. E simultaneamente com a glorificação dos corpos dos santos, todas as criaturas serão renovadas, cada uma a seu modo. Assim o diz o Apóstolo: A mesma criatura será livre da sujeição à corrupção, para participar da liberdade da glória dos filhos de Deus. Ora, a conflagração do mundo, dispondo para a renovação referida, conforme do sobredito se colhe, podemos manifestamente concluir que a conflagração final, quanto à purificação do mundo, precederá ao juízo. Mas, quanto ao efeito de envolver os maus, seguir-se-lhe-á.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ Agostinho não se exprime de maneira afirmativa, mas opinativa. O que resulta das palavras seguintes: Todas essas causas devemos acreditar que hão de acontecer; mas de que modo e em que ordem se darão, mais então no-lo ensinará a experiência das causas, do que podemos ter atualmente uma inteligência completa. Julgo porém, que tais acontecimentos terão lugar na ordem em que os enumerei. Por onde é claro que fala em sentido opinativo.

E o mesmo podemos responder à segunda objeção.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ Todos os homens morrerão e ressurgirão. O Apóstolo chama vivos os que conservarem a vida do corpo até a conflagração universal.

RESPOSTA À QUARTA. ─ O fogo da conflagração final não executará a sentença do Supremo Juiz senão quanto ao ato de envolver os maus. A esta luz, sucederá ao juízo.