Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 8 ─ Se a forma deste sacramento deve ser proferida mediante uma oração indicativa e não deprecativa.

[ ]

O oitavo discute-se assim. ─ Parece que a forma deste sacramento deve ser proferida por uma oração indicativa e não deprecativa.

1. ─ Pois, todos os sacramentos da Lei Nova produzem um determinado efeito. Ora, a certeza do efeito não se exprime, nas formas dos sacramentos, senão por uma oração indicativa, quando se diz: Isto é o meu corpo, ou, Eu te batizo, etc. Logo, a forma deste sacramento deve ser uma oração indicativa.

2. Demais. ─ Nas formas dos sacramentos deve estar expressa a intenção do ministro, necessária para a validade deles. Ora, a intenção de conferir o sacramento não se exprime senão por uma oração indicativa. Logo, etc.

3. Demais. ─ Em certas Igrejas se pronunciam estas palavras, na colação deste sacramento: Eu vos unjo os olhos com o óleo santificado em nome do Padre, etc.; e isto está conforme às formas dos outros sacramentos. Logo, parece que nisto consiste a forma deste sacramento.

Mas, em contrário. ─ A forma de um sacramento deve ser observada por todos. Ora, as palavras referidas não são as pronunciadas, segundo o costume de todas as Igrejas, senão só as palavras deprecativas seguintes: Por esta santíssima unção e pela sua puríssima misericórdia o Senhor te perdoe todos os pecados que cometeste com a vista, etc. Logo, a forma deste sacramento é a oração deprecativa.

2. Demais. ─ O mesmo se conclui das palavras de Tiago, que atribui a eficácia deste sacramento à oração: A oração da fé, diz, salvará o enfermo. Logo, como a eficácia do sacramento vem da forma, parece que a forma deste sacramento é a oração referida.

SOLUÇÃO. ─ A forma deste sacramento é a oração deprecativa, como o demonstram as palavras de Tiago e o uso da Igreja Romana, que só de palavras deprecativas usa na colação do mesmo. E disso podemos dar muitas razões. ─ A primeira é que, quem recebe este sacramento está falto de forças próprias. Por isso precisa ser socorrido pela oração. ─ A segunda, é que é dada aos que se partem desta vida, já não pertencentes ao foro da Igreja, e só nas mãos de Deus repousam. Por isso, a Deus são entregues pela oração. ─ A terceira é que este sacramento não produz nenhum efeito que esteja necessariamente ligado a ação do ministro, mesmo que este fizesse exatamente tudo o requerido pela essência do mesmo. Assim, o efeito do caráter, no batismo e na confirmação; o da transubstanciação, na Eucaristia; o da remissão do pecado, na penitência acompanhada da contrição, cuja remissão é da essência do sacramento da penitência; mas não da essência do da extrema unção. Por isso, neste último sacramento, a forma não pode estar no modo indicativo, como o pode nos outros.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ Este sacramento, bem como os outros, tem, por si mesmo, um efeito certo; mas pode se lhe opor o obstáculo da dissimulação de quem o recebe mesmo se este tiver a intenção de o receber ─ de modo que nenhum efeito colherá. Por isso, não há semelhança entre este sacramento e os outros, que sempre produzem algum efeito.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ O ato mesmo que a forma inclui ─ Por esta santa unção ─ exprime suficientemente a intenção.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ Essas palavras no modo indicativo, que segundo o costume de certas dioceses precedem à oração, não são a forma deste sacramento; mas uma certa disposição para a forma, enquanto a intenção do ministro se determina a esse ato, pelas referidas palavras.