Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 9 ─ Se a referida oração é a forma própria deste sacramento.

O nono discute-se assim. ─ Parece que a referida oração não é a forma própria deste sacramento.

1. ─ Pois, nas formas dos outros sacramentos se faz menção da matéria, como se dá com a confirmação. Ora, tal não se passa com as referidas palavras. Logo, não são uma boa forma.

2. Demais. ─ Assim como a misericórdia divina é a que produz em nós o efeito deste sacramento, assim também nos outros sacramentos não se faz menção dessa misericórdia, mas antes, da Trindade e da paixão. Logo, o mesmo se deveria dar aqui.

3. Demais. ─ Na letra do Mestre se referem dois efeitos deste sacramento. Ora, nas palavras, citadas não se menciona senão um, a saber, a remissão dos pecados; e nada, da cura do corpo a que Tiago ordena a oração da fé, quando diz: A oração da fé salvará o enfermo. Logo, a forma referida é imprópria.

SOLUÇÃO. ─ A oração referida é a forma própria deste sacramento. Porque o refere, quando diz: por esta santa unção; e o que nele obra: a divina misericórdia; e o seu efeito: a remissão dos pecados.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ A matéria deste sacramento pode ser deduzida do ato da unção; não porém a da confirmação do ato expresso na forma. Logo, não há símile.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ A misericórdia supõe e concerne a miséria. E como este sacramento é ministrado a quem é miserável, isto é, enfermo por isso, antes aqui que alhures se faz menção da misericórdia.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ A forma deve exprimir o efeito principal e que sempre o sacramento produz, se não opuser obstáculos quem o recebe. Ora, efeito tal não é a saúde do corpo, conforme do sobredito resulta, embora às vezes daí resulte. Em razão do que, Tiago atribui este efeito à oração, que é a forma deste sacramento.