Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 ─ Se a saúde do corpo é efeito deste sacramento.

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O segundo discute-se assim. ─ Parece que a saúde do corpo não é efeito deste sacramento.

1. ─ Pois, todo sacramento é um remédio espiritual. Ora, o remédio espiritual se ordena à saúde espiritual, como o material, à saúde do corpo. Logo, a saúde do corpo não é efeito deste sacramento.

2. Demais. ─ O sacramento produz sempre o seu efeito em quem não o recebe dissimuladamente. Ora, às vezes não recobra a saúde do corpo quem recebe este sacramento, por mais devotamente que o faça. Logo, a saúde do corpo não é efeito seu.

3. Demais. ─ A Escritura nos mostra a eficácia deste sacramento. Ora, nela não se atribui o efeito da cura à unção, mas à oração, pois diz: A oração da fé salvará o enfermo. Logo, a saúde do corpo não é efeito deste sacramento.

Mas, em contrário. ─ A operação da Igreja tem maior eficácia depois da paixão de Cristo, que antes. Ora, antes, os ungidos com óleo pelos Apóstolos saravam, como o refere o Evangelho. Logo, também agora produz o efeito de dar saúde ao corpo.

2. Demais. ─ Os sacramentos produzem efeito pela sua significação. Ora, o batismo, pela ablução exterior do corpo, tem um significado e um efeito espiritual. Logo, também a extrema unção, pela saúde do corpo, que exteriormente produz, significa e causa a saúde espiritual.

SOLUÇÃO. ─ Assim como o batismo, pela ablução do corpo, causa a purificação espiritual das máculas espirituais, assim também este sacramento, pela medicação sacramental exterior, produz a cura interior; e assim como a ablução do batismo produz o efeito da ablução corporal, porque também produz a purificação do corpo, assim, a extrema unção produz o efeito de uma medicação corporal, isto é, a saúde do corpo. Mas com a diferença, que a ablução corporal, pela propriedade mesma natural do elemento, produz a purificação do corpo e por isso sempre a produz. Ao passo que a extrema unção não causa a saúde do corpo por propriedade natural da matéria, mas por virtude divina, que obra racionalmente. E como um princípio operativo não produz nunca um efeito secundário, senão enquanto este importa ao principal, por isso este sacramento não causa nunca a saúde do corpo senão enquanto esta importa a saúde espiritual. – E então a produz sempre, contanto que não haja impedimento por parte de quem a recebe.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ A objeção prova que a saúde do corpo não é o efeito principal deste sacramento. O que é verdade.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Deduz-se clara do que foi dito.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ A referida oração é a forma deste sacramento, como se disse. Por onde, tem ele da sua forma a eficácia, por si mesma, para produzir a saúde do corpo.