Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 1 ─ Se este sacramento deve ser reiterado.

O primeiro discute-se assim. ─ Parece que este sacramento não deve ser reiterado.

1. ─ Pois, mais nobre é a unção feita a uma pessoa que a uma pedra. Ora, não se reitera a unção do altar senão se esse altar for partido. Logo, também não deve ser reiterada a extrema unção feita a uma pessoa.

2. Demais. ─ Além de um extremo nada mais há. Ora, esta é a chamada extrema unção. Logo, não deve ser reiterada.

Mas, em contrário. ─ Este sacramento é uma medicação espiritual feita a modo de medicação corporal. Ora, a medicação do corpo é susceptível de ser reiterada. Logo, também este sacramento pode ser reiterado.

SOLUÇÃO. ─ Nenhum sacramento ou sacramental de efeito perpétuo pode ser reiterado; pois, o contrário significaria que o sacramento não teria eficácia para produzir tal efeito, e a reiteração seria irreverência para com ele. Mas, sacramento sem efeito perpétuo pode, sem irreverência, ser reiterado, de modo que a reiteração realize o efeito não chegado a termo. E como a saúde do corpo e da alma, que é o efeito deste sacramento, pode ser perdida, depois de obtida como efeito dele, por isso este sacramento pode, sem irreverência, ser reiterado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ A unção da pedra se faz para a consagração mesma do altar, e a pedra a conserva perpetuamente enquanto o altar dura; por isso não pode ser reiterada. Ao passo que esta unção não se faz para consagrar a pessoa ungida, pois, não imprime caráter. Logo, o símile não colhe.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ O que na apreciação nossa é um extremo pode não sê-lo na realidade das causas. Assim, este sacramento se chama extrema unção, porque não deve ser ministrado senão àqueles cuja morte julgamos próxima.