Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 ─ Se a ordem foi convenientemente definida assim: A ordem é como um selo da Igreja pelo qual o poder espiritual é comunicado ao ordenado.

O segundo discute-se assim. ─ Não parece boa a definição da ordem dada pelo Mestre das Sentenças, quando diz: A ordem é como um selo da Igreja pelo qual o poder espiritual é comunicado ao ordenado.

1. ─ Pois, a parte não deve ser posta como gênero do lado. Ora, o caráter, designado pela palavra selo na explicação da definição, que se lhe segue, é parte da ordem; porque se divide por oposição com o que é só realidade, ou só sacramento, por ser realidade ao mesmo tempo que sacramento. Logo, o selo não pode ser considerado como gênero da ordem.

2. Demais. ─ Assim como o sacramento da ordem imprime caráter, assim também o do batismo. Ora, na definição do batismo não se incluiu o caráter. Logo, também não deve ser incluído na da ordem.

3. Demais, ─ O batismo também confere um certo poder espiritual de nos achegarmos aos sacramentos; e além disso, sendo sacramento, é um selo. Logo, esta definição convém ao batismo. E assim, não convém à ordem.

4. Demais. ─ A ordem é uma relação, que deve aparecer nos seus dois extremos. Ora, os extremos da relação da ordem são o superior e o inferior. Logo, os inferiores tem a ordem do mesmo modo que os superiores. Ora, nenhum poder de preeminência tem eles, como o introduzido aqui na definição da ordem, conforme o demonstra a sequência de exposição, quando diz ─ promoção a um poder. Logo, a definição de que tratamos não é boa.

SOLUÇÃO. ─ A definição da ordem, que o Mestre dá, convém-lhe enquanto sacramento da Igreja. Por isso dois elementos nela inclui: o sinal exterior, quando diz – um selo, isto é, um certo sinal; e o efeito interior, quando diz pelo qual o poder espiritual, etc.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ O selo não é aqui considerado como caráter interior, mas pela prática exterior, sinal e causa do poder interior. E assim também é tomado o caráter na outra definição. ─ Mas ainda que o tomássemos pelo caráter interior nenhum inconveniente haveria. Porque essas três divisões do sacramento referidas não constituem partes integrantes dele, propriamente falando. Pois, que só é realidade não é da essência do sacramento. Também o que é só sacramento é transitório ; mas do sacramento dizemos que permanece. Donde se conclui, que o caráter interior é essencial, e principalmente o sacramento mesmo da ordem.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Embora o batismo confira um certo poder espiritual para receber os outros sacramentos, razão pela qual imprime caráter, contudo não é esse o seu efeito principal, mas sim, a ablução interior, que daria existência ao batismo, mesmo sem a outra causa alegada, Ao passo que a ordem implica principalmente um poder. Por onde, o caráter, que é um poder espiritual, é posto na definição da ordem, mas não na do batismo.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ O batismo confere um certo poder espiritual para receber, e assim, de certo modo, passivo. Ora, a palavra poder designa propriamente uma potência ativa com certa preeminência. Por onde, essa definição não convém ao batismo.

RESPOSTA À QUARTA. ─ A palavra ordem é susceptível de duplo sentido. Assim, às vezes significa a relação mesma. E então podem-na receber tanto o inferior como o superior, conforme o diz a objeção. Mas não é esse o sentido de que se trata. Noutro sentido significa o grau mesmo resultante da ordem, no primeiro sentido. E como a ordem, enquanto relação, existe sempre que há um superior e um inferior, por isso esse grau eminente de poder espiritual se chama ordem.