Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 5 ─ Se o caráter de uma ordem necessariamente pressupõe o de outra.

O quinto discute-se assim. – Parece que o caráter de uma ordem pressupõe necessariamente o caráter de outra.

1. – Pois, maior é a conveniência entre uma ordem e outra, que entre a ordem e outro sacramento. Ora, o caráter da ordem pressupõe o de outro sacramento ─ o batismo. Logo, com maior razão, o caráter de uma ordem pressupõe o de outra.

2. Demais. ─ As ordens são determinados graus. Ora, ninguém pode chegar a um grau superior, sem primeiro chegar ao que o antecede. Logo, ninguém pode receber o caráter de uma ordem mais elevada sem primeiro ter recebido a ordem precedente.

Mas, em contrário. ─ O sacramento a que faltar uma condição necessária à sua validade há de forçosamente ser reiterado. Ora, quem receber uma ordem superior, passando por sobre a que conduz a ela, não precisará de ser ordenado de novo, conferindo-se-lhe apenas a que faltava, segundo o estatuído nos cânones. Logo, a ordem inferior não é necessária para se receber a mais elevada.

SOLUÇÃO. ─ Não é necessário que se tenham as ordens menores, antes de se receberem as maiores, por serem distintos os poderes; e uma não exige, por natureza, que o mesmo sujeito tenha já a outra. Por isso também na primitiva Igreja ordenava-se presbítero quem ainda não tinha as ordens inferiores; e contudo os assim ordenados tinham todos os poderes das ordens inferiores. Pois, o poder inferior está compreendido no superior, como os sentidos na inteligência e o ducado no reino. Mas depois, por constituição da Igreja, foi determinado que não tenha o exercício das ordens superiores quem antes não exercitar a sua humildade nos ofícios inferiores. Donde vem, que quem se ordena, passando por sobre as ordens inferiores, não precisa, segundo os cânones, de ser reordenado, conferindo-se-lhe tão somente as ordens inferiores que deixou de receber.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ Por semelhança específica, mais convêm as ordens entre si, que a ordem, com o batismo; mas se se leva em conta a proporção entre a potência e o ato, mais convém o batismo com a ordem, que uma ordem com outra. Porque o batismo confere a potência passiva de receber as ordens; ao passo que uma ordem inferior não outorga a potência passiva de receber as ordens maiores.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ As ordens não são degraus que devamos percorrer sucessivamente numa mesma ação, ou movimento, de maneira que devêssemos passar pelo último para chegar ao primeiro. Mas são como os graus existentes entre coisas diversas. Tal o grau entre o homem e o anjo; assim, não é necessário que o anjo tenha sido antes homem. Tais são também os graus entre a cabeça e os outros membros do corpo: não é necessário tenha a cabeça principiado por ser pé. Ora, tal é o que se dá no caso vertente.