Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 5 ─ Se ao sacerdote se lhe imprime o caráter quando lhe é apresentado o cálice.

O quinto discute-se assim. ─ Parece que ao sacerdote não se lhe imprime o caráter quando lhe é apresentado o cálice.

1. – Pois, a consagração do sacerdote é como a confirmação, acompanhada de uma unção. Ora, na confirmação, é a unção mesma que imprime caráter. Logo, é o sacerdócio mesmo o que imprime caráter e não o cálice apresentado.

2. Demais. ─ O Senhor deu aos discípulos o poder sacerdotal quando disse: Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados, etc. Ora, o Espírito Santo é conferido pela imposição das mãos. Logo, a imposição das mãos por si mesma imprime o caráter da ordem.

3. Demais. ─ Assim como são consagrados os ministros, assim também as vestes deles. Ora, as vestes só a bênção, por si, as consagra. Logo, a consagração do bispo por si só, torna o sacerdote consagrado.

4. Demais. ─ Assim como ao sacerdote é apresentado o cálice, assim também as vestes sacerdotais. Logo, se a apresentação do cálice lhe imprime o caráter, pela mesma razão a da casula. E assim o sacerdote receberia dois caracteres; o que é falso.

5. Demais. ─ A ordem do diácono mais se aproxima da do sacerdote, que a do subdiácono. Ora, se a simples apresentação do cálice imprimisse o caráter sacerdotal, o subdiácono estaria mais próximo do sacerdote que o diácono, porque aquele recebe o caráter pela só apresentação do cálice, mas não o diácono. Logo, a apresentação do cálice só por si não imprime o caráter sacerdotal.

6. Demais. ─ A ordem dos acólitos exerce uma função mais próxima da do sacerdote, por se ocupar com as galhetas, do que por levar o círio. Mas o caráter mais imprime o acólito quando os acólitos recebem o círio, que quando recebem as galhetas; pois, o nome de acólito, significa ─ o que leva um círio. Logo, os sacerdotes não se lhes imprime o caráter quando recebem o cálice.

Mas, em contrário. ─ O ato principal da ordem sacerdotal é consagrar o corpo de Cristo. Ora, esse poder lhe é conferido quando lhe apresentam o cálice. Logo, é então que se lhe imprime o caráter.

SOLUÇÃO. ─ Como dissemos, o mesmo agente que infunde uma forma também dá à matéria a preparação próxima para receber a forma. Por isso o bispo, ao conferir a ordem, faz duas coisas ─ prepara os ordenandos para a receberem e confere o poder da ordem.

Prepara-os, instruindo-se por ofício próprio, e influindo sobre eles a fim de se tornarem aptos para receber. E essa preparação em três coisas consiste: na bênção, na imposição das mãos e na unção. ─ Pela bênção, ficam ligados ao serviço divino; e por isso ela é dada a todos. ─ A imposição das mãos dá-lhes a plenitude da graça, que os torna aptos a elevados ofícios. Por isso, só os diáconos e os sacerdotes- recebem imposição de mãos, por lhes competir dispensar os sacramentos, embora estes o tenham como função principal e os outros, como ministros. ─ Além disso, a unção que recebem, os consagra para o trato do sacramento. Razão pela qual só os sacerdotes recebem a unção, eles que tocam com as mãos o corpo de Cristo; por isso também é ungido o cálice, que contém o sangue; e a patena, que contém o corpo.

Quanto à colação do poder, é a do que lhes concerne a função própria que exercem. E como a função principal do sacerdote é consagrar o corpo e o sangue de Cristo, por isso quando lhe é oferecido o cálice, pela forma determinada das palavras se lhe imprime o caráter sacerdotal.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ A confirmação não confere o poder de obrar sobre a matéria exterior. Por isso não imprime caráter mediante a apresentação de um objeto material, mas só pela imposição das mãos e pela unção. Diferente é o que se passa com a ordem sacerdotal. Logo, o símile não colhe.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ O Senhor, quando na ceia disse antes da paixão ─ Tomai e comei, deu aos discípulos o poder sacerdotal, no seu ato principal. Por isso acrescentou: Fazei isto em memória de mim. Mas depois da ressurreição deu-lhes função secundária da ordem sacerdotal, que é ligar e absolver.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ As vestes não precisam outra consagração senão a que as destina ao culto divino. Por isso lhes basta, como consagração, a bênção. Outra coisa porém é o que se dá com os ordenados, conforme dissemos.

RESPOSTA À QUARTA. ─ As vestes sacerdotais não significam o poder dado ao sacerdote, mas a idoneidade que deles se requer para o desempenho das suas funções. Por isso, nem ao sacerdote nem a nenhum outro se lhe imprime caráter por se revestirem de qualquer veste.

RESPOSTA À QUINTA. ─ O poder do diácono é médio entre o do subdiácono e o do sacerdote. Pois, o sacerdote tem poder direto sobre o corpo o subdiácono, apenas sobre os vasos; o diácono sobre o corpo de Cristo contido no vaso. Por isso não pode ele tocar no corpo de Cristo, mas conduzi-la na patena, e distribuir o sangue com o cálice. E é porque o ato principal das suas funções não podia exprimir-se nem pela apresentação só do vaso, nem pela apresentação da matéria. Mas apenas o ato secundário das suas funções é expresso quando se lhe dá o livro dos Evangelhos; e nessa função se incluem as outras. Por isso a só apresentação dos livros já lhe imprime caráter.

RESPOSTA À SEXTA. ─ A função mais principal do acólito é, antes, a de servir as galhetas que o levar o círio. Embora tire a denominação da sua função secundária, que é mais conhecida e mais própria dele. Por isso o caráter se lhe imprime ao acólito quando se lhe dão as galhetas, em virtude das palavras pronunciadas pelo bispo.