Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 ─ Se a contrição é ato de virtude.

O segundo discute-se assim. ─ Parece que a contrição não é um ato de virtude.

1. ─ Pois, as paixões não são atos de virtudes, porque por elas não somos louvados nem censurados, como diz Aristóteles. Ora, a dor é uma paixão. Logo, sendo a contrição dor, parece que não é ato de virtude.

2. Demais. ─ Assim como a contrição, também a atrição deriva de triturar (tero), Ora, a atrição não é um ato de virtude, como dizem todos. Logo, nem a contrição.

Mas, em contrário. ─ Só o ato de virtude é meritório. Ora, a contrição é um ato meritório. Logo, é ato de virtude.

SOLUÇÃO. ─ A contrição, de significado próprio, não designa um ato de virtude, mas antes, uma certa paixão do corpo. Mas não é neste sentido que agora tratamos da contrição; mas naquele em que tem significação figurada, por semelhança. Pois, assim como a inflação da nossa vontade própria a fazer o mal implica, por si mesma, genericamente o mal, assim essa aniquilação e contrição da vontade implica por si mesma um bem genérico; pois, isso é detestar a vontade própria pela qual cometemos o pecado. Por onde, a contrição, que o significa, importa numa certa retidão da vontade. Daí o ser ato de virtude próprio da penitência, que nos leva a detestar e destruir o pecado passado, conforme resulta do que foi dito na distinção XIV.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÁO. ─ Na contrição há uma dupla dor do pecado. ─ Uma na parte sensitiva e é a paixão. E esta não é essencialmente contrição, como ato de virtude, mas antes, efeito dela. Pois, assim como a virtude da penitência inflige uma pena externa do corpo para reparar a ofensa feita a Deus pelos membros corpóreos, assim também à parte concupiscível inflige a pena da referida dor, porque também essa parte cooperou no pecado. Essa dor contudo pode pertencer à contrição, enquanto parte do sacramento; porque os sacramentos não só consistem nos atos internos, mas também nos externos e nas cousas sensíveis. ─ Outra é a dor de vontade, que não é senão a displicência de um determinado mal; segundo o que o efeito da vontade tira a sua denominação dos nomes das paixões, como se disse na Terceira Parte. E assim, a contrição é dor por essência e ato da virtude da penitência.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Atrição diz acesso à perfeita contrição; por isso, na ordem material chamamos torturadas (attrita) às cousas de certo modo esmagadas, mas não perfeitamente; ao passo que contrição (contrito) se deveria dizer para significar que todas as partes trituradas foram simultaneamente reduzidas ao mínimo pela divisão. Por isso, no plano espiritual, a atrição significa uma certa displicência dos pecados, permitidos, mas não perfeita; ao passo que a contrição o é perfeitamente.