Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 ─ Se devemos ter contrição do pecado original.

[ ]

O segundo discute-se assim. ─ Parece que devemos ter contrição do pecado original

1. ─ Pois, devemos ter contrição do pecado atual, não em virtude do ato, enquanto um certo ser, mas por causa da deformidade; porque um ato, na sua substância, é um bem e procede de Deus. Ora, o pecado original tem a sua deformidade, como o atual. Logo, também dele devemos ter contrição.

2. Demais. – Pelo pecado original o homem se afastou de Deus; pois a sua pena foi ficar privado da visão de Deus. Ora, a todos deve desagradar o ter-se afastado de Deus. Logo, devemos nos desagradar do pecado original. E assim, devemos ter contrição dele.

Mas, em contrário. ─ O remédio deve ser proporcionado à doença. Ora, o pecado original foi contraído sem a nossa vontade. Logo, não é necessário nos purifiquemos dele pelo ato de vontade chamado contrição.

SOLUÇÃO. ─ A contrição, como dissemos, é uma dor que respeita e de certo modo tritura a dureza da vontade. Portanto pode recair só sobre os pecados que nascem em nós pela dureza da nossa vontade. E como o pecado original não foi cometido por vontade nossa, mas contraído pela natureza originalmente viciada, por isso não podemos ter contrição dele, propriamente falando, mas uma simples displicência ou dor.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ A contrição não tem por objeto o pecado em razão da substância do ato somente, porque como tal não tem natureza de mal; nem em razão da deformidade somente, porque a deformidade, em si mesma, não tem natureza de culpa, mas às vezes implica a pena. Devemos porém ter contrição dos pecados, enquanto implica uma deformidade proveniente do ato da vontade. O que não existe no pecado original. Por isso não precisamos ter contrição dele.

E o mesmo, devemos responder à segunda objeção. ─ Pois, é da aversão da vontade que devemos ter contrição.