Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 ─ Se podemos confessar por meio de outrem ou por escrito.

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O terceiro discute-se assim. ─ Parece que podemos confessar por meio de outrem ou por escrito.

1. ─ Pois, a confissão é necessária para se abrirmos a consciência do penitente ao sacerdote. Ora, podemos manifestar a nossa consciência ao sacerdote por meio de outrem ou por escrito. Logo, basta confessar por escrito ou por meio de outrem.

2. Demais ─ Certos não são entendidos pelo sacerdote próprio por causa da diversidade de línguas; e esses não podem confessar senão mediante terceiros. Logo, o sacramento não exige necessariamente que nos confessemos por nós mesmo. E assim, parece que basta à salvação nos confessemos por outrem, de qualquer modo.

3. Demais. ─ O sacramento exige necessàriamente que nos confessemos ao sacerdote próprio, como do sobredito resulta. Ora, às vezes o sacerdote próprio está ausente e não lhe pode falar diretamente o penitente, que porém lhe poderia manifestar a consciência por escrito. Logo, parece que por escrito lh’a deve manifestar.

Mas, em contrário. ─ Estamos obrigados à confissão dos pecados como o estamos à da fé. Ora, a confissão da fé deve ser feita oralmente, como diz o Apóstolo. Logo, também a dos pecados.

2. Demais. ─ Quem por si mesmo pecou deve por si mesmo fazer penitência. Ora, a confissão é parte da penitência. Logo, o penitente deve confessar-se diretamente.

SOLUÇÃO. ─ A confissão não só é ato de virtude, mas também parte do sacramento. Embora, pois, baste que de qualquer modo a façamos, enquanto ato de virtude, não obstante a dificuldade de um modo ser talvez menos que a de outro, contudo, enquanto parte do sacramento, implica um ato determinado, assim como também os outros sacramentos têm matéria determinada. É assim como no batismo, para significar a ablução interior, toma-se aquele elemento de que sobretudo nos servimos para lavar, assim, no ato sacramental, para nos manifestarmos como devemos, praticamos aquele ato pelo qual sobretudo costumam nos manifestar, isto é, as nossas palavras próprias. Quanto aos outros modos, foram aplicados como suplemento desse.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ Assim como no batismo não basta uma ablução qualquer, mas é preciso fazê-lo com o elemento determinado, assim também não basta na penitência manifestar os pecados de qualquer modo, mas é necessário os manifestemos por um ato determinado.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Os que não podem usar da linguagem, como o mudo, ou que não falam uma língua estrangeira, basta confessarem por escrito, por sinais ou por um intérprete, porque não é possível exigir de um homem mais de que ele pode; embora ninguém possa ou deva receber o batismo senão com a água. Por ser a água um elemento absolutamente exterior e nos ser dada por outrem. Ora, o ato da confissão nós mesmos é que o praticamos; e portanto quando não podemos praticá-lo de um modo, devemos confessar como podemos.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ Na ausência do nosso sacerdote próprio podemos fazer a confissão mesmo a um leigo. E por isso não é necessário fazê-la por escrito; porque é mais necessário o ato da confissão que aquele a quem a fazemos.