Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 8 ─ Se os graus de afinidade tem a mesma extensão que os de consangüinidade.

O oitavo discute-se assim. ─ Parece que os graus de afinidade não tem a mesma extensão que os de consangüinidade.

1. Pois, o vínculo da afinidade é mais forte que o da consangüinidade; porque a afinidade é causada pela consangüinidade, mas dela difere segundo a sua espécie, como o efeito de uma causa equívoca. Ora, quanto mais forte é um vínculo tanto mais diuturna é a sua duração. Logo, o vínculo da afinidade não se estende até o mesmo número de graus a que se a consangüinidade estende.

2. Demais, ─ O direito humano deve imitar o divino. Ora, segundo o direito divino, certos graus de consangüinidade impediam o matrimônio, e contudo esses mesmos graus na afinidade não o impediam. Tal o caso do homem que, podendo casar com a mulher de seu irmão, não podia, porém fazê-lo com a sua própria irmã. Logo, também agora não deveriam constituir proibições iguais a afinidade e a consangüinidade.

Mas, em contrário. ─ O fato mesmo de uma mulher ser casada com um meu parente a torna minha afim. Logo, qualquer grau de parentesco existente entre mim e o seu marido também a torna minha afim. E assim, os graus de afinidade devem contar-se no mesmo número que os de consangüinidade.

SOLUÇÃO. ─ Desde que os graus de afinidade se fundam no da consangüinidade, resulta necessariamente serem tantos os daquela quantos os desta. Contudo, sendo a afinidade um vínculo menos forte que o da consangüinidade, mais fácil tanto outrora como atualmente, é dispensar nos graus remotos da afinidade que nos mesmos, da consangüinidade.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ O ser menos forte o vínculo da afinidade, que o da consangüinidade é causa das variedades do gênero do parentesco, mas não dos graus. Logo, a objeção feita não vem a propósito.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Um irmão não podia casar com a viúva de seu irmão, senão no caso de este morrer sem filhos, a fim de se lhe não extinguir a posteridade. Isso era então necessário, quando pela geração carnal se multiplicava o culto da religião, o que já se não dá agora. Por onde é claro não a desposava, como em seu próprio nome, mas quase por suprir a falta do irmão.