Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Um altar tridentino na Catedral da Natureza?

Postado em 31-03-2016

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

A notícia da bênção da pedra fundamental da Catedral Ecumênica da Natureza, em Valência, pelo cardeal Cañizares (tido como “conservador” ratzingeriano) deixou perplexos alguns católicos tradicionalistas atrelados à comissão Ecclesia Adfflicta, creio que não tanto pela afronta à fé católica em si quanto pelo temor de uma possível superação daquela abertura à liturgia tradicional promovida a partir do motu proprio de 1988. Afinal, um cardeal ratzingeriano, que era tido  por  muitos como a tábua de salvação no último conclave abençoando o culto das árvores, dos rios e dos lugares altos poderia dar a impressão de que no templo ecumênico ora projetado não haverá lugar para a missa tridentina.

Quem tem tal preocupação de ser excluído da Catedral Ecológica da Nova Religião Mundial pode ficar tranquilo. Essa iniciativa quer, pelo contrário, compelir todos os homens a aderir, quer arrastar a todos no turbilhão maçônico-panteísta-sincretista.

A propósito dessa notícia da Catedral Ecumênica da Natureza, lembrei-me do que me disse há muitos anos um professor do Seminário de La Reja: “O desejo do papa João Paulo II é que o espírito de Assis abrigue a missa tridentina. Se há tridentinos, que eles venham à assembleia ecumênica de Assis, que serão bem recebidos.”

Com efeito, somente os católicos fieis ao dogma, somente os católicos que afirmam a gratuidade da ordem sobrenatural, somente os que rejeitam o naturalismo, os que recusam o pluralismo religioso, a nova religião democrática panteísta-igualitária, somente esses que preferem morrer a entrar na demoníaca catedral da natureza que recusa o legítimo culto ao único Deus verdadeiro, o Deus Uno e Trino, serão perseguidos, execrados, cobertos de injúrias como fanáticos, desequilibrados, perigosos, loucos etc.

Na realidade, infelizmente, até entre alguns tradicionalistas que se deixaram seduzir pelo canto da sereia Ecclesia Adfflicta, entrou o erro pernicioso de reduzir o nosso combate doutrinário à luta em defesa da ordem natural. Quer dizer, deixa-se de defender o dogma para reduzir a Igreja a uma organização pró-vida, a uma iniciativa em defesa da lei natural. Enfim, a moral passa a ter primazia sobre o dogma. Ora, a moral sem o dogma não se sustenta. Degenera em vago moralismo sem uma hierarquia de valores, sem um sólido fundamento. A própria defesa da vida humana acaba em ecologismo. Muito mais importante que salvar a vida biológica de um nascituro é salvar a vida sobrenatural pela preservação da integridade da fé.

Inegavelmente, devemos combater o aborto, o “casamento homossexual”, a ideologia do gênero etc etc. Entretanto, não podemos esquecer que todas essas aberrações decorrem de princípios falsos que devem ser combatidos no plano metafísico e teológico. Do contrário, nossas lutas terão apenas vitórias de Pirro, porquanto teremos perdido a luta no plano filosófico, no plano cultural, no plano das ideias. Não saberemos mais fundamentar nossa luta. Não saberemos sequer dar razão da nossa esperança. Seremos vencidos pelo cansaço.

De modo que cumpre esclarecer às pessoas que, efetivamente, a perversa modernidade triunfou no próprio santuário da Igreja por ocasião do Vaticano II. E dizer-lhes que, desde então, tem havido sempre uma política de conciliação do inconciliável, de compromisso entre a Igreja e as forças maçônicas da nova ordem mundial que agora querem sepultar as ruínas da Igreja de Cristo sob os alicerces da Catedral Ecumênica da Natureza.

Verumtamen non praevalebunt!

Anápolis, 31 de março de 2016

Dentro da Oitava da Páscoa.

52º aniversário da Revolução de 31 de março de 1964. Que salvou o Brasil do comunismo mas deixou tanto a desejar justamente por causa dos erros apontados nesta crônica.