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Um golpe de Estado para salvar o Brasil?

Postado em 12-03-2021

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Para onde vai o Brasil? É a pergunta cheia de angústia que se fazem a si mesmos os brasileiros de bem depois da última desfaçatez do Supremo Tribunal Federal, a suprema porcaria nacional, ao absolver o Luladrão.

A pergunta se torna mais angustiosa quando os brasileiros de bem questionam se há ainda na nação brasileira uma reserva moral capaz de reagir a tamanho abuso de poder, a tanta irresponsabilidade, e como deve dar-se tal reação. Pessoalmente não tenho muitas ilusões, acho que a sociedade brasileira, infelizmente, se corrompeu e desintegrou de norte a sul, em todas as suas instituições.

Com efeito, temos um poder Executivo frágil, incapaz de exercer suas funções por obra de um Judiciário atrabiliário e ávido de aumentar insaciavelmente seus vencimentos e mordomias; temos um Legislativo que não representa verdadeiramente a sociedade em conseqüência de um sistema eleitoral absurdo; temos, infelizmente, a Santa Igreja carcomida pela heresia como se comprovou pela atual Campanha da Fraternidade. Soma-se a tudo isso o problema da pandemia explorada politicamente por elementos perversos que impedem a aplicação do tratamento precoce da Covid 19 e, como resultado disso, ocorre o colapso do sistema de saúde pública. Domina entre nós um sistema financeiro iníquo que corrói as parcas economias da família brasileira. Acresce que a instituição da família no Brasil está esfrangalhada pela peste do divórcio, da ideologia de gênero e pela propaganda LGBT. Não bastasse isso, no seio das famílias, quando não há a omissão da autoridade dos pais sobre seus filhos, há a ingratidão e a irreverência destes em relação a seus genitores. E para agravar a decadência da família há uma rede de educação que na verdade deseduca. Tudo isso sem falar na imprensa e na televisão que diariamente desinformam a população, enxovalham os valores morais e atacam o Presidente da República de uma forma desonesta e irresponsável.

De maneira que, de acordo com as lições dos tratadistas e a experiência histórica, não se vislumbra no horizonte uma solução dentro da legalidade para a gravíssima crise que vive o Brasil. É um fato que, quando uma sociedade se corrompe, nenhuma das formas clássicas de governo funciona, seja a monarquia, seja a aristocracia, seja a politéia; só resta a ditadura. É uma ilusão pensar que nas próximas eleições o Brasil pode reencontrar seu rumo. Gostaria de que Bolsonaro fosse reeleito, mas tenho minhas dúvidas se o será realmente e, caso o seja, se poderá efetivamente governar o país. Ademais, o povo está farto da politicalha; o povo perdeu a confiança nas urnas e em todas as instituições políticas e sociais.

Por conseguinte, cabe perguntar se será possível e desejável um golpe de Estado contra-revolucionário no Brasil de hoje. A palavra “ditadura” causa assombro a muitos. Entretanto, convençamo-nos de uma coisa: se o lulopetismo-larápio voltar ao poder, teremos uma ditadura crudelíssima. Se o Bolsonaro for reeleito, continuaremos na presente anarquia, em razão do cerceamento dos seus poderes por obra do STF. Se for eleito um candidato ligado à agenda globalista, por exemplo um tipo asqueroso como Doria ou qualquer outro janota do PSDB, teremos o avanço do trabalho de destruição da nossa identidade como uma nação de raízes cristãs herdeira do valores e das tradições culturais de Trento.

Quanto à possibilidade de um golpe de Estado contra-revolucionário, a grande objeção que se levanta é a conjuntura internacional adversa: os EUA de Biden e a China comunista impediriam o êxito de um golpe de Estado dessa natureza e a consolidação de um regime nacional cristão.

Quanto à conveniência e à oportunidade de um golpe de Estado contra-revolucionário, paira uma dúvida: será que existem realmente nas Forças Armadas brasileiras oficiais com boa formação doutrinária, que tenham realmente idéias claras sobre a tarefa e a missão que lhes incumbiriam de restaurar a ordem nacional? Infelizmente, nossos militares são herdeiros de uma nefasta tradição positivista, republicana, muito alheia a toda e qualquer visão metafísica e religiosa do mundo, de modo que não possuem uma concepção da ordem nacional fundada no Direito Natural Cristão. Portanto, haveria o risco de termos um ditador boçal na chefia da nação ou, na melhor das hipóteses, um ditador que, sob o aspecto técnico, material, talvez realizasse uma obra de reerguimento econômico da nação, como o general Pinochet do Chile, ignorando, porém, as causas morais da crise brasileira. Teríamos uma recuperação da saúde financeira da nação ao custo da supressão das garantias e liberdades individuais. Mas talvez, ao menos, nos libertasse dessa desgraça de Constituição cidadã de 1988 que nos infelicita e nos desse uma carta melhor. Mas não teríamos um caudilho benemérito como o generalíssimo Francisco Franco, da Espanha. São conjecturas.

Contudo, não custa esperar que haja ainda alguns militares bons, com reta consciência e senso de responsabilidade, capazes de, por meio de uma grande obra de regeneração dos costumes, restabelecer a ordem e garantir ao Brasil dias melhores. Esses militares, uma vez à frente da Nação, saberiam arrostar a oposição da opinião pública internacional contra uma ditadura de salvação nacional.

De qualquer modo,  tudo indica que, a não ocorrer um golpe de Estado de salvação, teremos só duas alternativas: ou continuaremos na anarquia, com um presidente impossibilitado de governar pelos motivos expostos acima ou uma ditadura lulopetista bolivariana que nos arruinará completamente. Não creio no sucesso de uma candidatura ao gosto dos globalistas do famigerado “Estadão lixão” ou da Folha nauseabunda.

Em suma, os dias são sombrios, amargos principalmente para os chefes de família que pensam no futuro de seus filhos. Que lhes garante um país onde a justiça é um escárnio da nação? Que lhes garante uma religião aberta à agenda LGBT?

Rezemos o Terço de Nossa Senhora pela salvação do Brasil. Vivamos estes dias atribulados com espírito de penitência em reparação dos nossos pecados e do mundo inteiro.

Beata gens, cuius est Dominus, Deus eius: populus, quem elegit in hereditatem sibi (Ps. 32)

 

Anápolis, 12 de março de 2021.

Festa de São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja.