15 de novembro de 1889 – Os jagunços do Antônio Conselheiro tinham razão: o Brasil ficou à toa

Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

Transcorridos mais de cem anos da fatídica data, torna-se irrefragável a convicção de que não há por que comemorar a proclamação da república.

Bem ponderadas as coisas, fica claro que a nação brasileira só se fez grande graças à monarquia e que todas as mazelas que padecemos têm sua origem na república implantada por uma quartelada.

Da imoralidade administrativa à fragilidade das instituições políticas, da perda do caráter nacional à contínua crise econômico-financeira, tudo decorre da malsinada república. Com honrosas e raras exceções – um Rodrigues Alves, um Campos Salles, um Washington Luís Pereira de Sousa – a república brasileira tem sido, francamente, a república das negociatas. Ou melhor, tem sido, na verdade, o reino da mediocridade e da podridão. E pensar que Dom Pedro II, homem sábio e dedicado ao bem da nação, dizia “estou cansado de segurar os ladrões do meu governo.” Ao contrário, Lula, em sua arrogante ignorância, diz que não sabe de nada quanto às seríssimas acusações contra o seu governo ou que tudo não passa de intriga da oposição!

Espúria em sua origem, a república foi ridícula em sua primeira constituição macaqueando os Estados Unidos: República dos Estados Unidos do Brasil! Além de grotesca, a república nascida de um golpe baixo liderado pelo marechal Deodoro  foi, e ainda é, desastrosa em suas conseqüências. Inepta, a república não conseguiu, sobre a sólida base da unidade do território nacional – um verdadeiro milagre político, a preservação da integridade do território -, promover uma justa descentralização político-administrativa. A federação tão sonhada e prometida pelos republicanos é um pesadelo. São gritantes as injustiças cometidas pela União contra os estados membros da federação, tudo por culpa de uma república arremedada que não tem senso da realidade histórica brasileira.

A república só abusou desse imenso patrimônio espiritual legado pela monarquia que é a unidade do povo brasileiro. Até quando o Brasil se manterá unido, explorado e enxovalhado por um estado incapaz de respeitar e cultivar os valores mais caros ao nosso povo? Negligente, míope, incapaz de descortinar os horizontes, a república não prepara para o Brasil um futuro auspicioso, em harmonia com as raízes e a formação do nosso povo. O Brasil degenera diante dos nossos olhos. Até quando poderá ser conhecido como Terra de Santa Cruz, Reino da Imaculada Conceição Aparecida?

Infelizmente, a república só obteve um sucesso: vacinar o povo contra a monarquia. Inquinando a monarquia de ser um poder pessoal ou familiar incompatível com um mal entendido “ideal de igualdade” ou com o respeito da coisa pública, a república se sustenta dopando o povo que se acha soberano, dotado do poder de decidir os destinos da nação através do voto. Que vale um voto, ainda mais em nosso iníquo sistema eleitoral? Causa asco comparecer à seção eleitoral – o execrável voto obrigatório que ceva a súcia dos politiqueiros – e ver inscrito na urna o brasão da república com os dizeres ideológicos do TSE “a democracia passa por aqui”.

No entanto, confesso que tenho esperança. Sou um sebastianista inveterado. Ainda há de chegar um tempo em que o povo redescubra a insuperável vantagem de a suprema magistratura da nação estar acima de qualquer disputa eleitoral sórdida, acima de qualquer ambição, exercida legitimamente por uma família digna que tenha a preeminência sobre toda a pátria por razões históricas, em virtude de serviços prestados ao  bem comum. Quem sabe um dia a dinastia destronada terá um rebento que, aliando suas gloriosas tradições familiares às qualidades necessárias a um chefe de Estado, possa ser aclamado imperador do Brasil. Aguardemos Dom Sebastião!

Entrementes, declamemos com os valorosos jagunços do Antônio Conselheiro:

 

Sahiu Dom Pedro II

Para o reyno de Lisboa

Acabosse a monarquia

O Brasil ficou atôa!

Garantidos pela lei

Aquelles malvados estão

Nós temos a lei de Deus

Elles tem a lei do cão!

 

(Apud Os Sertões de Euclides da Cunha

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