Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Nossos agradecimentos ao Supremo Tribunal Federal

Postado em 20-09-2013

Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa

A esquerda revolucionária sempre apostou na ideia do “quanto pior melhor” em sua luta incansável para promover a desordem geral e criar um clima propício à destruição de todas instituições e chegar, finalmente, ao caos, à anarquia. Então, o homem seria uma verdadeira encarnação de Lucífer na Terra e teria tudo e todos sob os seus pés, embora ele mesmo ficasse sob o jugo do Inimigo de todo bem.

É claro que na perspectiva materialista qualquer alusão ao Diabo é descabida, mas para nós que temos fé é importante recordar o que dizia De Maistre sobre o caráter satânico da Revolução Francesa. Se 1789 tinha um caráter satânico, muito mais o tem a revolução russa de 1917, e muito mais ainda os comunistas petistas de hoje, pois os revolucionários do século XVIII queriam instaurar uma ordem social burguesa, com escárnio da Igreja e da nobreza, enquanto os comunistas não querem estabelecer ordem nenhuma, sendo a ditadura do proletariado uma falácia. Como também os petistas hoje não querem a ordem e o bem do Brasil, só querem a confusão geral, contanto que fiquem no poder. O espírito revolucionário marxista, com seu materialismo histórico, visa apenas ao caos, à negação de qualquer princípio metafísico e moral, de modo que não pode pretender estabelecer nenhum tipo de organização social, política e econômica, ainda que precise ter uma estrutura para exercer um comando sobre o desenrolar dos fatos  rumo à anarquia global.

Acresce que o marxismo sempre sustentou que o direito e todas as instituições judiciárias não passam de uma farsa do Estado burguês capitalista e não servem absolutamente para distribuir a justiça e libertar os “oprimidos”. Com efeito, uma das instituições mais visadas pela esquerda revolucionária sempre foi o Poder Judiciário, seja para infiltrar elementos comunistas em seus quadros seja para difamá-lo como instituição reacionária, inimiga das reformas sociais.

Por outro lado, sabe-se que uma das causas dos conflitos  sociais e das guerras é a demora em combater as injustiças, sanar as distorções das estruturas da sociedade e deixar impunes os criminosos. Essa morosidade produz não só a desmoralização do Poder Judiciário mas ainda o desespero dos homens de ben e de suas famílias que buscam a justiça, a salvaguarda dos direitos, o respeito ao cumprimento dos seus contratos etc.

Pois bem, há poucos dias a sociedade brasileira recebeu, perplexa, a decisão da Suprema Corte dizendo que 12 réus do mensalão têm direito a segundo julgamento, com base nos embargos infringentes, o que abrirá a possiblidade não só de uma redução das penas mas também de prescrição dos delitos. Sem dúvida, foi uma decisão inspirada em uma visão formalista do direito, que desconhece completamente, não o clamor das ruas nas manifestações recentes, mas o elemento sapiencial do direito, a prudência,  o espírito da lei, que não se atém à letra, à forma, mas leva em conta a mente do legislador, a matéria e as circunstâncias concretas em que se deve aplicar a lei. Ora, é evidente que, depois de todas as investigações, a denúncia do procurador da República, as seções de julgamento, em que houve amplo direito de defesa, e tudo transcorreu às claras, é evidente que não cabia, além dos embargos declaratórios, outro julgamento.

A conclusão a que se chega não pode ser outra: o Supremo Tribunal, hoje, após tantos anos de governos e desgovernos esquerdistas, está composto por elementos a serviço do projeto petista de se eternizar no poder. E é por isso que, abusando de suas atribuições, tem legislado para criar falsos direitos, como a união civil homossexual, aborto, pesquisa com embriões etc. Contribui para a degradação geral da sociedade e assim, a sua maneira, fomentar o espírito revolucionário.

A consequência é que o caos vai se espalhando pelo país e vai criando condições para que chegue a hora de um conflito. Talvez seja o preço a pagar (pelos nossos pecados)  para nos libertarmos de um governo e de um regime que nos agridem diariamente nos valores que mais prezamos. E estou convencido de que, havendo um conflito, quem vai sair perdendo vai ser a esquerda, como já ocorreu no passado. Porque a hora que o Brasil verdadeiro despertar, essa súcia de marginais comunistas vai ter de sair correndo do país.

Sinceramente, não creio nas urnas para solução dos problemas do Brasil e do mundo. Refiro-me aos problemas do mundo pensando na Síria, onde os EUA apoiam os rebeldes ligados à rede Al Qaeda. Rematada loucura ou traição do presidente? Creio no espírito de cruzada, com o emprego da força, se necessário, a serviço da verdade e da justiça. Não creio nas urnas como tampouco creio no falso ecumenismo e no diálogo interreligioso promovido pelo Vaticano e pela ONU. Confio no auxílio da graça para aqueles que combatem pelo Reino Social de Cristo. Não confio no discurso pacifista dos adeptos da nova religião humanista, que me faz lembrar do humanitismo de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por pretender arruinar todos os sistemas.

Em suma, quem confia ainda nas instituições? Quem confia no Supremo Tribunal? Quem confia na ONU? Não resta nada de pé. Restam as promessas de Cristo.

Por fim, regristo meus agradecimentos ao Supremo Tribunal Federal por ter, certamente, apressado o curso da história que esperamos nos traga dias melhores.

Anápolis, 20 de setembro de 2013.

Festa de Santo Eustáquio e seus companheiros mártires