O fruto proibido do capitalismo

Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Quando Deus criou o homem e o pôs no paraíso de delícias, em um regime de liberdades em que poderia desenvolver plenamente suas aptidões para a glória do Criador e para o bem dos seus semelhantes, quando Deus em sua sabedoria submeteu o homem à lei natural da economia de livre mercado, só lhe fez uma advertência: “Não comas do fruto da árvore da ciência das relações espúrias  entre um cartel e um partido político no governo de um Estado. No dia em que dele comeres morrerás certissimamente.”

Mas no paraíso delicioso da livre iniciativa, em que o homem trabalhando com seriedade e competência poderia enobrecer-se e fazer grandes e belas coisas, havia uma serpente chamada Lula que se travestiu em uma jararaca chamada Dilma, gerentona de uma empresa gigante. E a jararaca disse a um homem chamado Marcelo, que era o mais notável de todos os empresários daquele paraíso: “Por que o Senhor Deus vos proibiu de comer dos frutos das árvores do paraíso?” E Marcelo respondeu-lhe: “O Senhor Deus não nos proibiu de comer dos frutos de todas árvores; só nos proibiu que comêssemos do fruto da Árvore das Riquezas Ilícitas, pertencente à família do conluio entre o cartel e o governo. O Senhor Deus nos ameaçou: quando dele comeres perderás a liberdade da concorrência, tão essencial à tua felicidade neste paraíso. Por esta liberdade é que crescerás, fortalecerás tua vontade, aprimorarás tua inteligência. E serás o orgulho de tua nobre descendência.”

Mas a jararaca não se deu por vencida: “Que nada! O Senhor Deus sabe que, se comeres da Árvore do Conluio entre o cartel e o PT, tu serás  tão poderoso quanto ele e livre de todos teus inimigos concorrentes!” E a jararaca estendeu-lhe o fruto untado da exclusividade, o fruto da amizade do Estado, o fruto de todos os favores que eliminava os vermes da concorrência. E Marcelo, desobedecendo às ordens divinas, comeu do fruto.

Ato contínuo, o Senhor Deus ordenou a um anjo da sua corte, revestido da toga de magistrado, que baixasse ao paraíso e dele expulsasse o prevaricador, agora reduzido a escravo da jararaca. A partir de então começou uma luta renhida entre o juiz e as forças do mal. Entre um juiz e um velho sarnento calejado em todo tipo de artimanha, que comanda há nos uma grande bancada de políticos corruptos.

Apesar de tudo, despontou uma  esperança de que no horizonte voltasse a brilhar o sol da liberdade e os homens pudessem voltar a trabalhar e a ganhar honestamente o seu pão para sustento da sua família e o bem da nação e do mundo inteiro.

A leitura da notícia de que a Odebrecht está sangrando, demitiu 50 mil funcionários e sua dívida chega a R$ 110 bilhões inspirou-me a paródia acima para tentar expressar a desgraça moral e econômica que se abateu sobre o Brasil.

Ou voltamos a ter uma economia baseada na ética e na livre concorrência, longe do intervencionismo estatal, uma economia praticada por homens de bem, chefes de família com senso de responsabilidade e zelo pelo bem comum, um Estado que se limite a cumprir sua obrigação de manter a ordem e a segurança, e uma sociedade plena de vitalidade, bem organizada, formada por boas famílias onde se cultivem as virtudes cristãs, enfim, um ambiente de justiça, caridade e liberdade, ou, então, realmente, estaremos condenados a viver uma tirania socialista planetária, onde os carteis de grandes empresários unidos a partidos socialistas socializantes (como bem explica o debate entre Alexandre Dugin e Olavo de Carvalho) condenarão à morte aqueles que quiserem trabalhar com dignidade.

Ou restauramos a ordem social cristã, formando, repito, boas famílias católicas e todas as outras instituições que as auxiliam como, por exemplo, boas escolas para a juventude, a organização do trabalho e da economia conforme a justiça e a boa experiência da tradição, ou, então, o islamismo dominará o Ocidente. Ou se nenhuma dessas duas vias se concretizar, só nos restará o caos, a escravidão sob a forma de um socialismo pior do que aquele que existiu na União Soviética, como advertiu o economista tcheco Vaclav Klaus em uma lúcida crítica da União Européia.

Nossa luta é gigantesca. Mas não há motivo para desânimo. Nossa Senhora, auxílio dos cristãos, dar-nos-á a vitória se fizermos a nossa parte. Deus lo vult!

Anápolis, 9 de junho de 2016.