Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 — Se Deus é soberanamente uno.

(I Sent., dist. XXIV, q. 1, a. 1; De Div. Nom., cap. XIII, lect. III).

O quarto discute-se assim. — Parece que Deus não é soberanamente uno.

1. — Pois, unidade significa privação de divisão. Ora, a privação não é suscetível de mais e de menos. Logo, Deus não é mais uno que os outros seres, que têm esse atributo.

2. Demais. — Nada é mais indivisível que o que o é, atual e potencialmente, como o ponto e a unidade. Ora, um ser é considerado uno na medida em que é indivisível. Logo, Deus não é mais uno que a unidade e que o ponto.

3. Demais. — O que é bom por essência é bom soberanamente. Logo, soberanamente uno é o que tem esse atributo por essência. Ora, todo ser é uno por essência, como se vê no Filósofo1. Logo, todo ser é uno soberanamente e, portanto, Deus não o é mais que os outros seres.

Mas, em contrário, diz Bernardo: Entre todos os seres que consideramos unos, a unidade da Divina Trindade ocupa o primeiro lugar2.

SOLUÇÃO. — O uno é o ente indiviso, logo, para que algo seja ao máximo uno é preciso que seja ente ao máximo e indiviso ao máximo. Ora, Deus é um e outro. Ele é ente ao máximo, uma vez que não tem um ser determinado por nenhuma natureza que o receba, mas Ele é o próprio ser subsistente, sem nenhuma determinação. Além do mais, é indiviso ao máximo, não estando dividido nem em ato nem em potência, de qualquer maneira que se possa dividir, mas é simples absolutamente, como já se demonstrou3. Fica então claro que Deus é ao máximo uno.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Embora a privação em si mesma não seja suscetível de mais nem de menos, contudo, como o seu contrário o é, dizemos que também o privativo está sujeito a essa lei. Logo, na medida em que um ser é mais, menos, ou de nenhum modo dividido ou divisível, nessa mesma o consideramos mais, menos, ou soberanamente uno.

RESPOSTA À SEGUNDA. — O ponto e a unidade, que é princípio do número, não são soberanamente entes, porque não têm o ser senão num sujeito. Por onde, nenhum deles é soberanamente uno. Pois, como o sujeito não é tal, por causa da diversidade entre eles e os seus acidentes, assim, o mesmo se dá com o acidente.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Embora todo ser seja uno pela substância, contudo, a substância de qualquer não pode causar, a título igual, a unidade, porque a substância de certos seres é composta de partes e a de outros, não.
1. IV Metaph., lect. II.
2. De Consideratione, l. V, c. 8.
3. Q. 3, a. 7.