Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se a adivinhação é uma espécie de superstição.

O segundo discute–se assim. – Parece que a adivinhação não é uma espécie de superstição.

1. – Pois, uma espécie não pode pertencer a diversos gêneros. Ora, parece que a adivinhação é uma espécie de curiosidade, como diz Agostinho. Logo, parece que não é uma espécie de superstição.

2. Demais. – Assim como a religião é culto devido, assim a superstição é o indevido. Ora, a adivinhação parece não estar incluída em nenhum culto indevido. Logo, a adivinhação não faz parte da superstição.

3. Demais. – A superstição Se opõe à religião. Ora, a verdadeira religião nada tem que se oponha, por contrariedade, à adivinhação. Logo, a adivinhação não é uma espécie de superstição.

Mas, em contrário, Orígenes diz: Há, no domínio da preciência uma certa ação dos demônios, que parece ser compreendida por aqueles que se lhes entregaram, e que se manifesta, ora, Por meio de sortes, ora pelos augúrios, ora pela contemplação das sombras. Quanto a mim não duvido que tudo isso se faça por obra dos demônios. Mas, Agostinho diz, que tudo o que procede da sociedade entre demônios e homens é supersticioso. Logo, a adivinhação é uma espécie de superstição.

SOLUÇÃO. – Como já dissemos, a superstição importa em atribuir a um ser um culto que não lhe é devido. Ora, de dois modos podemos cultuar a Deus: fazendo–lhe uma oferta, um sacrifício, uma oblação ou coisa semelhante; ou servindo–nos do que é divino, como dissemos ao tratar do juramento. Portanto, constitui superstição não só oferecer sacrifício aos demônios por meio da idolatria, mas também invocar–lhes o auxílio, para fazermos ou conhecermos alguma coisa. Ora, toda adivinhação é obra dos demônios, quer por os invocarmos expressamente, para nos manifestarem o futuro; quer por se intrometerem nas vãs indagações sobre o futuro, para encherem de vaidade o espírito dos homens, da qual diz a Escritura: Não voltou os olhos para as vaidades e necessidades enganosas. E a indagação do futuro é vã quando pretendemos prevê–lo por meios não adequados. Logo, é manifesto que a adivinhação é uma espécie de superstição.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A adivinhação supõe a curiosidade, pelo fim buscado, que é a previsão do futuro. – Mas, supõe a superstição pelo modo de obrar.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A referida adivinhação implica em prestar culto aos demônios, quando se recorre a um pacto tácito ou expresso com eles.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A lei nova procura afastar o espírito dos homens das preocupações temporais. Por isso nada instituiu para nos levar a conhecer dos acontecimentos futuros, na ordem temporal. Ao contrário, a lei antiga, que prometia bens terrenos, permitia indagar o futuro, em matéria religiosa. Por isso, diz a Escritura: E quando vos disserem: Consultai os pitões e os adivinhos, que murmuram em segredo nos seus encantamentos; e acrescenta como respondendo: Acaso não consultará o povo ao seu Deus, há de ir falar com os mortos acerca dos vivos! Mas também houve, na vigência do Novo Testamento, certos homens dotados de espírito de profecia, que predisseram muitos acontecimentos futuros.