Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se o jejum é ato de abstinência.

O segundo discute–se assim. – Parece que o jejum não é ato de abstinência.

1. – Pois, àquilo do Evangelho. – Esta casta de demônios, etc. – diz a Glosa: O jejum consiste em nos abstermos, não .somente da comida, mas, de todos os prazeres proibidos. Ora, isto o fazem todas as virtudes. Logo, o jejum não é um ato especial de abstinência.

2. Demais. – Gregório diz, que o jejum quaresmal é o dizimo de todo o ano. Ora, pagar o dizimo é ato de religião, como estabelecemos. Logo, o jejum é ato de religião e não, de abstinência.

3. Demais. – A abstinência faz parte da temperança, como se disse. Ora, a temperança se divide, por oposição, da coragem, à qual é próprio sofrer as dificuldades; ora, o jejum é, por excelência, difícil. Logo, não é ato de abstinência.

Mas, em contrário, Isidoro diz, que o jejum é a parcimónia na alimentação e a abstinência de comida.

SOLUÇÃO. O hábito e o ato têm matéria Idêntica. Por onde, todo ato virtuoso, que tem uma determinada matéria, pertence à virtude, que estabelece a mediedade nessa matéria. Ora, o jejum tem por matéria a comida, onde a abstinência estabelece a mediedade. Logo, é manifesto, Que o jejum é ato de abstinência.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. –­ O jejum propriamente dito consiste em nos abstermos de alimentos. Mas, em sentido metafórico, consiste em nos abstermos de tudo o que é nocivo e sobretudo do pecado. – Ou podemos dizer que também o jejum propriamente dito é a abstinência de todos os prazeres ilícitos; porque cessa de ser um ato de virtude por influência de qualquer vicio superveniente, como se disse.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Nada impede que o ato de uma virtude pertença a outra virtude, desde que se lhe ordena ao fim, como do sobredito resulta. E, assim sendo, nada impede que o jejum pertença à religião, à castidade ou a qualquer outra virtude.

RESPOSTA À TERCEIRA. – À fortaleza, como virtude especial, não pertence suportar quaisquer dificuldades, mas só as que nos põem em perigo de morte. Quanto a sofrer as dificuldades resultantes da falta dos prazeres sensíveis, isso pertence à temperança e às suas partes. E tais as dificuldades resultantes do jejum.