Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 – Se o pecado de Adão foi mais grave que o de Eva.

O primeiro discute–se assim. – Parece que o pecado de Adão foi mais grave que o de Eva.

1. – Pois, diz o Apóstolo, que Adão não foi seduzido, mas a mulher foi enganada em prevaricação, donde resulta ter o pecado da mulher provindo da ignorância, ao passo que o do homem, de uma ciência certa. Ora, este último pecado é mais grave, segundo aquilo do Evangelho: Aquele servo, que soube a vontade de seu senhor e não obrou conforme a sua vontade, dar–se–lhe–ão muitos açoites; mas aquele, que não a soube e fez coisas dignas de castigo, levará poucos açoites. Logo, Adão pecou mais gravemente que Eva.

2. Demais. – Agostinho diz: Se a cabeça é o homem, deve viver melhor e dar à sua esposa o exemplo de todas as boas obras, para que o imite. Ora, quando aquele, que deve proceder melhor, peca, o seu pecado é mais grave. Logo, Adão pecou mais gravemente que Eva.

3. Demais. – O pecado contra o Espírito Santo é considerado como o gravíssimo. Ora, parece ter Adão pecado contra o Espírito Santo, pois, pecou pensando na misericórdia divina, o que constitui o pecado da presunção. Logo, parece ter Adão pecado mais gravemente que Eva.

Mas, em contrário, a pena corresponde à culpa. Ora, a mulher foi punida mais gravemente que o homem, como se lê na Escritura. Logo, pecou mais gravemente que o homem.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, a gravidade do pecado depende mais principalmente da espécie do que da circunstância dele. Donde devemos concluir, que, consideradas ambas as pessoas, a da mulher e a do varão, o pecado deste foi mais grave porque era mais perfeito que a mulher.

Mas, considerado o gênero mesmo do pecado, o pecado de ambos foi igual por terem ambos pecado pela soberba.· Por isso diz Agostinho, que a mulher desculpou–se do seu pecado pela desigualdade do sexo, mas, com a mesma soberba.

Quanto à espécie às soberba, porém, a mulher pecou mais gravemente por tríplice razão. – Primeiro, porque maior foi a sua soberba, que a do homem. Pois, a mulher acreditou verdadeira a persuasão da serpente, isto é, que Deus proibiu comer do fruto para não chegarem a ser semelhantes a ele; e assim, querendo conseguir assemelhar–se a Deus, comendo do fruto proibido, a soberba alçou–a a querer obter o que era contra a vontade de Deus. Ao contrario, o homem não acreditou ser verdadeira a persuasão. Por onde, não quis obter a semelhança divina, contra a vontade de Deus. Mas, pecou por soberba, querendo alcançá–la por si mesmo. – Segundo, porque a mulher, não somente pecou ela própria, mas também sugeriu o pecado ao homem. Por onde, pecou contra Deus e contra o próximo. – Terceiro, porque o pecado do homem ficou diminuído por haver consentido nele por uma certa amigável benevolência que nos leva a ofender a Deus para não perdermos um amigo; e que não o devia ter feito o julgou o justa determinação da divina sentença, como ensina Agostinho. – Por onde é claro ter sido mais grave o pecado da mulher que o ao homem.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A sedução referida, da mulher, resultou da soberba precedente. Por isso essa ignorância não escusa; antes, agrava o pecado, porque, ignorando, alçou–se a maior soberba.

RESPOSTA À SEGUNDA. – A objeção colhe, quanto à circunstância da condição da pessoa, pela qual o pecado do homem foi mais grave de certo modo.

RESPOSTA À TERCEIRA. – O homem não pensou na divina misericórdia para desprezar a divina justiça, o que constitui o pecado contra o Espírito Santo. Mas, como diz Agostinho, inexperiente da divina severidade, pensou que esse pecado fosse venial, isto é, facilmente perdoável.