Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se a vida suficientemente se divide em ativa e contemplativa.

O segundo discute–se assim. – Parece que a vida não se divide suficientemente em ativa e contemplativa.

1. – Pois, o Filósofo enumera três vidas sobretudo excelentes: a voluptuosa, a civil, idêntica já ativa, e a contemplativa. Logo, parece que a vida se divide insuficientemente em ativa e contemplativa.

2. Demais. – Agostinho considera três os géneros de vida: a de quietude, que constitui a contemplativa; a de ação, que constitui a ativa; e acrescenta uma terceira composta de uma e de outra. Logo, parece insuficiente a divisão em vida ativa e contemplativa.

3. Demais. – A vida dos homens se diversifica pelas diversas atividades a que eles se aplicam. Ora, mais de duas são as aplicações da atividade humana. Logo, parece que a vida deve dividir–se em mais membros, que a ativa e a contemplativa.

Mas, em contrário, essas duas vidas são significadas pelas duas mulheres de Jacó: Lia significa a ativa e Raquel, a contemplativa. E pelas duas mulheres que deram hospitalidade ao Senhor: a contemplativa, por Maria e a ativa, por Marta, como ensina Gregório. Ora, esta significação não seria congruente se houvesse mais de duas vidas. Logo, é suficiente a divisão em ativa e contemplativa.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, essa divisão da vida humana é a que se funda no intelecto. Ora, o intelecto se divide em ativo e contemplativo. Pois, o fim do conhecimento intelectivo ou é o conhecimento mesmo da verdade, o que pertence ao intelecto contemplativo; ou alguma atividade exterior, o que pertence ao intelecto prático ou ativo. Logo, também a vida suficientemente se divide em ativa e contemplativa.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A vida voluptuosa põe o seu fim no prazer material, comum a nós e aos brutos. Por isso, como diz o Filósofo no mesmo lugar, é uma vida animal. Donde, não se compreende na presente divisão, que biparte a vida humana em ativa e contemplativa.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O meio termo se compõe com os extremos e por isso está virtualmente contido nestes; assim o tépido resulta do quente e do frio e o pálido, do branco e do preto. Semelhantemente, no ativo e no contemplativo se compreende o composto de um e de outro. E contudo, assim como em todo misto predomina um dos simples, assim também no gênero médio de vida predomina umas vezes o contemplativo e, outras, o ativo.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Todas as aplicações da atividade humana, quando ordenadas pela razão reta às necessidades da vida presente, se compreendem na vida ativa a qual, por meio de ações ordenadas, procura satisfazer às referidas necessidades. Se, porém foram postas ao serviço de qualquer concupiscência, pertencem à vida voluptuosa, que não está contida na vida ativa. Mas as atividades humanas ordenadas à consideração da verdade pertencem à vida contemplativa.