Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 6 — Se vários podem simultaneamente batizar.

O sexto discute-se assim. — Parece que vá­rios podem simultaneamente batizar.

1. — Pois, a multidão contém a unidade, mas não inversamente. — Portanto, o que pode fazer um, podem fazer muitos, e não ao inverso; assim, muitos podem puxar um barco, mas um só não o pode. Ora, um só pode batizar ao mesmo tempo muitos. Logo, também muitos podem batizar a um simultaneamente.

2. Demais. — É mais difícil um agente atuar sobre muitos pacientes, do que muitos agentes sobre um só paciente. Ora, um só pode batizar simultaneamente a vários. Logo e com maior razão, vários podem ao mesmo tempo ba­tizar a um.

3. Demais. — O batismo é o mais neces­sário dos sacramentos. Ora, em certos casos é necessários vários batizarem simultaneamente a um; por exemplo no caso de estar uma criança em artigo de morte e estarem presentes duas pes­soas, uma muda e outra sem mãos e braços; pois, então seria necessário o mutilado proferir as palavras e o mudo exercer o ato de batismo. Logo, parece que vários podem batizar ao mes­mo tempo.

Mas, em contrário, um agente exerce uma só ação. Se, pois, vários batizassem a um, resultariam vários batismos. O que vai contra o dito do Apóstolo: Não há senão uma fé e senão um batismo.

SOLUÇÃO. — O sacramento do batismo haure a sua virtude, sobretudo na forma, a que o Após­tolo denomina a palavra da vida. Por onde, devemos considerar, no caso de vários batizarem a um, de que forma usaram. Assim, se disserem – Nós te batizamos em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo – certos opinam que não conferirão o sacramento do batismo, por não terem observado a forma da Igreja, que é ­Eu te batizo em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo. – Mas essa opinião fica excluída pela forma do batismo usada pela Igreja Grega. Pois poderiam dizer: É batizado o servo de Cristo N. em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo. Sob cuja forma os gregos rece­bem o batismo, apesar de muito mais disseme­lhante da que usamos que se disséssemos – Nós te batizamos.

Devemos, porém considerar que essa forma – Nós te batizamos – exprime a intenção de vários que convêm em conferir o batismo a um. O que vai contra a natureza do ministério, pois ninguém batiza senão como ministro de Cristo, fazendo-lhe assim as vezes; portanto, sendo Cristo um só, necessário é também seja um só ministro representante de Cristo. Por isso diz Apóstolo slnaladamente: Um Senhor, uma fé, um batismo. Logo uma intenção inconciliável com o batismo o torna inválido.

Se porém cada um dos batizantes dissesse: Eu te batizo em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo – exprimiria cada qual a sua intenção, como se conferisse o batismo singular­mente. O que poderia dar-se no caso de dois adversários que contendessem por batizar. E como seria então manifesto quem pronunciasse primeiro as palavras, conferiria o sacramento do batismo. O outro, por mais que tivesse o direito de batizar, se ousasse pronunciar as palavras deveria ser punido por ter rebatizado. Se porém ambos pronunciassem as palavras simultanea­mente e imergissem ou aspergissem o neófito, deveriam ser punidos pelo modo irregular de ba­tizar e não pela reiteração do batismo; pois um e outro teria a intenção de batizar um não-ba­tizado e ambos, cada um por seu lado, batiza­riam. Nem confeririam dois sacramentos dife­rentes; mas Cristo, que é quem batiza interna­mente, conferiria um sacramento por meio de ambos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — A objeção colhe quando se trata de agentes que agem por virtude própria. Ora, os homens não batizam por virtude própria, mas por virtude de Cristo, que, sendo um confere o seu sacramento por um ministro único.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Em caso de necessi­dade, um poderia batizar a vários simultanea­mente, sob esta forma – Eu te batizo. Por exemplo, em caso de uma ruína iminente ou de morte em combate ou em situações semelhantes, que se dão repentinamente e não permitem batizar cada um de per si. Nem por isso, contudo se diversificaria a forma da Igreja, pois, o plural não é senão o singular geminado, sobretudo quando Cristo disse, no plural – Batizai-os etc. – Nem há semelhança de batizante para bati­zado. Porque Cristo, que é quem principalmente batiza, é um só; mas muitos se tornam um só em Cristo.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Como dissemos, a integridade do batismo consiste na forma das palavras e no uso da matéria. Portanto, não batiza quem somente profere as palavras nem o que somente imerge. Por onde, proferindo um, as palavras e fazendo outro a imersão, não po­derá ser conveniente a forma das palavras, Nem poderá dizer – Eu te batizo – quem não faz a imersão e por consequência não batiza. Nem poderão dizer – Nós te batizamos – pois nem um nem outro batiza. Assim como duas pes­soas que escreverem um livro, escrevendo um uma parte e outro outra, não poderão dizer ­nós escrevemos este livro, senão por sinédoque, tomando-se a parte pelo todo.