Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 1 ─ Se todos ressurgem em idade viril.

O primeiro discute-se assim. ─ Parece que nem todos ressurgirão na idade viril.

1. ─ Pois, Deus não privará os ressurrectos, sobretudo os bem-aventurados, de nenhuma perfeição humana. Ora, a idade é uma perfeição humana; assim, a velhice é uma idade venerável. Logo, os velhos não ressurgirão em idade viril.

2. Demais. ─ A idade se calcula pelo tempo passado. Ora, é impossível o tempo passado deixar de sê-lo. Logo, é impossível os mortos em idade avançada ressurgir em idade viril.

3. Demais. ─ O que sobretudo ressurgirá em cada um é o que por excelência verdadeiramente lhe constituiu a natureza. Ora, mais uma cousa se aproxima da origem do homem, mais profundamente parece pertencer à verdade da natureza humana. Porque na velhice a virtude da espécie fica debilitada e por isso o Filósofo compara o corpo humano envelhecido ao vinho misturado com água. Logo, se todos devem ressurgir na mesma idade, mais conviria ressurgirem na idade adolescente que na viril.

Mas, em contrário, o Apóstolo: Até que todos cheguemos a estado de varão perfeito, segundo a medida da idade completa de Cristo. Ora, Cristo ressurgiu na idade viril, que começa cerca dos trinta anos, como diz Agostinho. Logo, também os outros ressurgirão na idade viril.

2. Demais. ─ O homem ressurgirá na perfeição máxima da natureza. Ora, o estado perfeitissimo da natureza humana é a idade viril. Logo, todos ressurgirão com essa idade.

SOLUÇÃO. ─ O homem ressuscitará isento de todos os defeitos da natureza humana; porque assim como Deus a instituiu sem defeito, assim sem defeito a restaurará. Ora, a natureza humana sofre uma dupla deficiência: a de não ter ainda alcançado a sua perfeição última e a de tê-la perdido. A primeira defeituosidade é a das crianças; a segunda, a dos velhos. Por isso em ambos a natureza humana será reduzida, pela ressurreição, ao estado da perfeição última, que é a da idade viril, quando termina o movimento de crescer e começa o da decadência.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ A idade da velhice merece reverência, não pela condição do corpo, que é defeituosa, mas pela sabedoria da alma, que nela se presume adquirida pela grande longevidade. Por isso os eleitos terão a reverência devida à velhice, porque gozam da plenitude da sabedoria divina que neles habitará, mas não sofrerão a decadência da velhice.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Não nos referimos aqui à idade, quanto ao número dos anos, mas pelo estado em que a ação dos anos constitui o corpo humano. Por isso se diz que Adão foi formado em idade viril, porque o seu corpo teve a formação dessa idade desde o primeiro dia da sua existência. Por onde, a objeção não colhe.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ Dizemos que a virtude especifica é mais perfeita no adolescente que na idade viril, por ter, de certo modo, maior eficácia para transformar os alimentos; assim como também é mais perfeita no esperma que no homem completo. Nos jovens porém é mais perfeita quanto ao termo do crescimento. Por onde, o que mais profunda e verdadeiramente constitui a natureza humana terá aquela perfeição que tem na idade viril; não na da primeira idade, quando os humores ainda não chegaram à sua última consistência.