Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 ─ Se o juízo universal será instruído e sentenciado oralmente.

O segundo discute-se assim. ─ Parece que o juízo universal será instruído e sentenciado oralmente.

1. ─ Pois, como diz Agostinho, é incerto quantos dias durará esse juízo. Ora, não seria incerto se todas as fases desse juízo respondessem a um processo mental. Logo, o juízo final há de processar-se oralmente e não só mentalmente.

2. Demais. ─ Gregório diz, como o assinala o Mestre: Aqueles ao menos ouvirão as palavras do Juiz, que lhe deram fé às palavras. Ora, isto não pode aplicar-se ao verbo mental, porque então todos ouvirão as palavras do Juiz, porque todos, bons e maus, conhecerão os atos uns dos outros. Logo, parece que o juízo final se processará oralmente.

3. Demais. ─ Cristo virá julgar com forma humana, de modo a poder ser corporalmente visto de todos. Logo e pela mesma razão parece que falará realmente de modo a ser ouvido de todos.

Mas, em contrário. ─ Agostinho diz: O livro da vida, de que fala o Apocalipse, significa uma ação especial do poder divino, que despertará na memória de cada um todas as suas obras, boas ou más, e os fará percorrer todas, com maravilhosa celeridade e de um só olhar da mente, de modo que a ciência de cada qual lhe acuse ou excuse a consciência, sendo assim julgados simultaneamente todos e cada um. Ora, se se fossem discutir oralmente os méritos individuais, não poderiam ser todos e cada um julgados a um tempo. Logo, parece que essa discussão não será oral.

2. Demais. ─ A sentença deve corresponder proporcionalmente ao testemunho. Ora, o testemunho, acusatório ou excusatório, será mental. Donde o dizer o Apóstolo: Dando testemunho a eles a sua mesma consciência e os pensamentos de dentro, que umas vezes os acusam e outras os defendem, no dia em que Deus há de julgar as causas ocultas dos homens. Logo, parece que a sentença e o juízo total se processará mentalmente.

SOLUÇÃO. ─ A verdade nesta matéria não pode ser estabelecida com certeza. Podemos contudo pensar, com probabilidade, que o juízo final na sua totalidade ─ quanto a sua instrução, à acusação dos maus, à glorificação dos bons e à sentença de ambos ─ se processará mentalmente. Pois, se os atos de cada um fossem discriminados oralmente, levaria isso um inconcebivelmente grande espaço de tempo. Donde a perguntar Agostinho: Se o livro, de acordo com cuja escrita todos devem ser julgados, segundo a Escritura, fosse um livro material, quem lhe poderia calcular o volume ou o tamanho? Ou em quanto tempo poderia ser lido um livro onde estivessem descritas as vidas de todos universalmente? Ora, não seria necessário menos tempo para narrar oralmente as obras de cada um, que para as ler, se estivessem escritas num livro material. Por onde, é provável que as profecias do Evangelho devem ser entendidas como havendo de se cumprir, não vocal, mas mentalmente.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ Agostinho diz ser incerto por quantos dias durará esse juízo, por não ser determinado se há de processar-se mental ou oralmente. Pois, se o fosse oralmente, exigiria tempo muito mais dilatado. Se porém mentalmente, num momento poderia realizar-se.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Mesmo se o juízo se processar só mentalmente, as palavras de Gregório podem ser verdadeiras. Pois, ainda que, por ação especial do poder divino ─ ao que o Evangelho chama locução. ─ todos conheçam os seus atos e os alheios, contudo os que tiveram fé fundada nas palavras de Deus serão julgados por essas mesmas palavras, porque, como diz o Apóstolo ─ Todos quantos com lei pecaram por lei serão Julgados. Assim e de um modo especial os fiéis ouvirão palavras que os infiéis não ouvirão.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ Cristo aparecerá corporalmente para todos corporalmente reconhecerem o juiz; o que poderá dar-se de súbito. A locução, porém, medida pelo tempo, exigiria um enorme espaço dele, se o juízo devesse processar-se oralmente.