Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 8 ─ Se a Cristo é devida a auréola.

O oitavo discute-se assim. ─ Parece que a Cristo é devida a auréola.

1. ─ Pois, a auréola é devida à virgindade, ao martírio e à doutrina. Ora, essas três coisas as exerceu Cristo de modo eminente. Logo, a ele principalmente cabe a auréola.

2. Demais. ─ Tudo o perfeitíssimo nas coisas humanas deve ser atribuído sobretudo a Cristo. Ora, o prêmio da auréola é devida aos méritos mais excelentes. Logo, também é devido a Cristo.

3. Demais. ─ Cipriano diz que a virgnidade é a imagem de Deus. Logo, o exemplar da virgindade está em Deus. Logo, parece que a Cristo, mesmo enquanto Deus, é devida a auréola.

Mas, em contrário, a auréola é a alegria por nos conformarmos a Cristo, como se disse. Ora, ninguém se conforma ou assemelha-se a si mesmo, como diz o Filósofo. Logo, a Cristo não é devida a auréola.

2. Demais ─ O prêmio de Cristo nunca recebeu acréscimo. Ora, Cristo não teve auréola, desde o primeiro instante da sua concepção, porque então ainda não tinha sustentado nenhuma luta. Logo, depois, não teve nunca auréola.

SOLUÇÃO. ─ Uns dizem que Cristo em auréola, na significação própria desta; pois, tendo sido vitorioso na luta, merece por conseqüência a coroa, na acepção própria desta. ─ Mas quem refletir com diligência verá que, embora a Cristo convenha a coroa de ouro ou simplesmente a coroa como tal, não lhe cabe a auréola na sua acepção própria. Pois, a auréola, por isso mesmo que é um diminutivo, implica um prêmio na participação e não na sua plenitude. Por onde, cabe ter auréola àqueles que participaram da vitória perfeita por comparação com aquele que a alcançou na sua plenitude. Ora, Cristo ganhou a vitória na sua acepção principal e plena, por participação de cuja vitória e que todos os mais são vitoriosos, conforme àquilo do Evangelho ─ Tende confiança, eu venci o mundo; e àquele lugar do Apocalipse: Eis aqui o leão da tribo de Judá, que pela sua vitória. Por isso não cabe a Cristo ter auréola, mas algo de superior donde derivam todas as auréolas. Donde o dizer da Escritura: Aquele que vencer eu o farei assentar comigo no meu trono, assim como eu mesmo, também depois que venci, me assentei igualmente com meu Pai no seu trono.

Por isso, segundo outros, devemos dizer que embora Cristo não tenha propriamente auréola, tem contudo o que é mais excelente que toda auréola.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ Cristo foi mui verdadeiramente virgem, mártir e doutor. O prêmio acidental porém correspondente a esses três títulos, não é nada, por assim dizer, em comparação com a magnitude do seu prêmio essencial. Por isso não tem auréola, na sua acepção própria.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ Embora a auréola seja devida a uma obra perfeitíssima que pratiquemos, contudo considerada como um diminutivo, significa uma certa perfeição participada de quem plenariamente a possui. E assim, é um como prêmio menor. Mas nesse sentido não é que a tem Cristo, que possui a plenitude de toda perfeição.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ Embora a virgindade tenha de certo modo em Deus o seu modelo, não o tem porém de modo a poder reproduzi-lo fielmente. Pois, a incorrupção de Deus, que a virgindade imita, não tem a mesma essência em Deus e em quem é virgem.