Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 ─ Se é o mesmo o lugar onde as almas são purificadas e os condenados punidos.

O segundo discute-se assim. ─ Parece não ser o mesmo o lugar onde as almas são purificadas e os condenados punidos.

1. ─ Pois, a pena dos condenados é eterna, como diz o Evangelho: Estes irão para o fogo eterno. Ora, o fogo do purgatório é temporal, como diz o Mestre. Logo, não podem ser simultaneamente punidos os do inferno e os do purgatório pelo mesmo fogo. E assim, hão de por força ser distintos esses lugares.

2. Demais. ─ A pena do inferno dá a Escritura vários nomes: fogo, enxofre, ventos de tempestade etc. Ora, a pena do purgatório só é designada com o nome de fogo. Logo, os condenados não são punidos no inferno e no purgatório pelo mesmo fogo.

3. Demais. – Hugo Vitorino diz: É provável que os condenados são punidos nos lugares onde cometeram a culpa. E também Gregório narra que Germano, bispo de Cápua, encontrou Pascácio num balneário, onde se purificava. Logo, a pena purgatória não é no inferno, mas neste mundo.

Mas, em contrário, diz Gregório: Assim como o mesmo fogo que torna o ouro rutilante transforma em fumos a palha, assim, o mesmo fogo queima o pecador e purifica o eleito. Logo, o mesmo fogo é o do purgatório e o do inferno. Portanto, os condenados àquele e a este estão no mesmo lugar.

2. Demais. ─ Os Santos Patriarcas, antes do advento de Cristo, estavam num lugar mais nobre que aquele onde se purificam as almas depois da morte; porque não sofriam lá nenhuma pena sensível. Ora, esse lugar estava contíguo ao inferno, ou era o mesmo que o inferno; aliás Cristo, quando desceu ao limbo, não teria dito a Escritura que desceu aos infernos. Logo, o purgatório ocupa o mesmo lugar que o inferno, ou é contíguo a este.

SOLUÇÃO. ─ Do lugar do purgatório nada se encontra expressamente dito na Escritura, nem se podem aduzir razões eficazes que o determinem. Contudo provavelmente, segundo o mais concorde com o ensino dos santos Padres e a revelação feita a muitos, o purgatório ocupa um duplo lugar. Um, consentâneo à lei comum: é o lugar inferior, contíguo ao inferno; e então o mesmo fogo crucia os condenados ao inferno e purifica os justos ao purgatório; embora os condenados, enquanto inferiores pelo mérito também devem ocupar um lugar inferior. ─ Outro lugar do purgatório é o que lhe é destinado por dispensa. E assim sabemos, de certas almas, que cumpriram as suas penas em lugares diversos, quer para instrução dos vivos, quer para socorro dos mortos, a fim de que os vivos, conhecendo-lhes as penas, as mitigassem pelos sufrágios da Igreja.

Mas outros dizem que, segundo a lei comum, o lugar do purgatório é onde o homem peca. ─ O que não parece provável, porque uma alma pode ser punida simultaneamente por pecados que cometeu em lugares diversos.

Outros, ainda, ensinam que, segundo a lei comum, elas são punidas numa região superior à terra, por estarem colocadas num estado médio, entre nós e Deus. ─ Mas isto não é exato. Porque não são punidas pelo que as eleva acima de nós, mas pelo que têm de ínfimo, i. é, o pecado.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ─ O fogo do purgatório é eterno na sua substância, mas temporal no seu efeito purificador.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ A pena do inferno tem por fim atormentar as almas; e por isso a designamos com todos aqueles vocábulos nominativos de cousas que nesta vida nos atormentam. Mas o fim principal das penas do purgatório é purificar dos restos do pecado. Por isso, a pena única que a ele se atribui é a do fogo, que tem a propriedade de purificar e consumir.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ A objeção colhe-se se trata, não do lugar determinado pela lei comum ao purgatório, mas do que a justiça divina destina a tal ou tal alma em particular.