Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 5 ─ Se este sacramento tem matéria.

O quinto discute-se assim. ─ Parece que este sacramento não tem matéria.

1. ─ Pois, todo sacramento, que tem matéria, a virtude operativa dele está na matéria. Ora, as causas materiais aqui usadas, como as chaves, os candelabros e outras semelhantes, nenhuma virtude tem para santificar. Logo, este sacramento não tem matéria.

2. Demais. ─ Este sacramento confere como a confirmação a plenitude da graça dos sete dons do Espírito Santo, na expressão do Mestre. Ora, a matéria da confirmação pressupõe a sua santificação. Logo, como os elementos materiais usados neste sacramento não são pressantificados, parece que não podem ser a matéria dele.

3. Demais. ─ Em todos os sacramentos que tem matéria, é necessário o contacto dela com quem recebe o sacramento. Ora, como certos dizem, o contato desses elementos materiais com quem recebe o sacramento não é necessário para a validade deste; mas basta sejam apresentados ao ordenando. Logo, as referidas coisas materiais não são a matéria deste sacramento.

Mas, em contrário, todo sacramento supõe realidades e palavras. Ora, a realidade de um sacramento é a sua matéria. Logo, também as coisas usadas neste sacramento são a matéria dele,

2. Demais. ─ Há mais exigências para dispensar os sacramentos do que para os receber. Ora, o batismo, que confere o poder de receber os sacramentos, precisa de matéria. Logo, também a ordem, que dá o poder de dispensá-los.

SOLUÇÃO. ─ A matéria exterior, de que usam sacramentos, significa que a virtude neles operante é de origem totalmente externa. Por onde, como o caráter, efeito próprio deste sacramento, não é recebido por nenhum ato de quem a ele se achega ─ como se dá com a penitência, mas tem origem de todo externa, cabe-lhe ter uma determinada matéria. Embora porém de modo diverso dos outros sacramentos que a tem. Porque o conferido nos outros deriva só de Deus, e não do ministro do sacramento, ao passo que o poder espiritual, conferido pela ordem, deriva também do ministro dela, como o poder imperfeito. Por isso, a eficácia dos outros sacramentos consiste principalmente na matéria, que significa e contém uma virtude divina, pela santificação recebida pelo ministro. Ao passo que a eficácia deste sacramento principalmente reside em quem o ministra; enquanto que a matéria é usada, antes, para mostrar o poder, transmitido particularmente por quem o tem de maneira completa, do que para causá-lo. O que resulta de a matéria ser necessária ao uso do poder.

Donde se deduz a resposta à primeira objeção.

RESPOSTA À SEGUNDA. ─ A matéria dos outros sacramentos precisa de ser santificada por causa da virtude que contém. Mas isto não se dá no caso vertente.

RESPOSTA À TERCEIRA. ─ Se quisermos manter essa opinião, poderemos justificá-la pelo que dissemos. Pois, o poder da ordem é recebido do ministro, mas não da matéria. Por isso, a apresentação desta é, mais que o contato, da essência do sacramento. Contudo, essas palavras da forma mostram, que o contato da matéria é da essência do sacramento; pois nela se diz ─ Recebei isto ou aquilo.