Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 – Se a alma separada conhece as coisas singulares.

O quarto discute–se assim. – Parece que a alma separada não conhece as coisas singulares.

1. – Pois, nenhuma potência cognoscitiva, a não ser o intelecto, permanece na alma separada, como do sobredito resulta. Ora, como já ficou estabelecido, o intelecto não conhece o singular. Logo, a alma separada não conhece as coisas singulares.

2. Demais. – Mais determinado é o conhecimento do singular que o do universal. Ora, a alma separada não tem nenhum conhecimento determinado das espécies das coisas naturais. Logo, com mais razão, não conhece as coisas singulares.

3. Demais. – Se a alma conhece as coisas singulares, mas não pelos sentidos, por igual razão conheceria todos os singulares. Ora, não os conhece todos. Logo, não conhece nenhum.

Mas, em contrário, o rico, precipitado no inferno, dizia: Tenho cinco irmãos, como se vê na Escritura.

SOLUÇÃO. – As almas separadas conhecem certas coisas singulares, mas não todas, mesmo das presentes. O que se evidencia considerando–se que há duplo modo de inteligir. Um, por abstração dos fantasmas; e, deste modo, as coisas singulares não podem ser conhecidas pelo intelecto diretamente, mas só indiretamente, como antes ficou dito. Outro, pela influência das espécies, por parte de Deus; e, deste modo, o intelecto pode conhecer as coisas singulares. Pois, assim como Deus, pela sua essência, como causa dos princípios universais e individuais, conhece todas as coisas, tanto as universais como as singulares, conforme já se viu antes; assim também as substâncias separadas, pelas espécies, que são umas semelhanças participadas da mesma divina essência, podem conhecer as coisas singulares. Há contudo diferença entre os anjos e as almas separadas, no seguinte: aqueles, por essas espécies, têm das causas um conhecimento perfeito e próprio; ao passo que estas o têm confuso. Por onde, os anjos, por causa da eficácia do seu intelecto, podem conhecer, pelas sobreditas espécies, não só as naturezas das coisas, em especial, mas também as coisas singulares contidas nessas espécies. Enquanto que as almas separadas não podem conhecer, por meio de tais espécies, senão somente aquelas coisas singulares para as quais estão de certo modo determinadas, quer por um conhecimento precedente, quer por alguma afeição, quer por uma relação natural ou por divina disposição; porque, tudo o que num ser é recebido, é determinado neste ao modo do mesmo, como recipiente que é.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. ­– O intelecto, por via de abstração, não conhece as coisas singulares. De maneira que, não assim, mas do modo referido, é que a alma separada as intelige.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O conhecimento da alma separada é determinado para as espécies daquelas coisas ou indivíduos para os quais tem alguma determinada relação, como antes já se disse.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A alma separada não se comporta igualmente para com todas as coisas singulares, mas tem, para com umas, uma determinada relação, que não tem para com outras. E, portanto, não há a mesma razão para conhecer todas as causas singulares.