Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Artigo 7 – Se a esperança precede a fé.

O sétimo discute-se assim. – Parece que a esperança precede a fé.

1 – Pois, aquilo da Escritura – Espera no Senhor e faze obras boas – diz a Glosa: A esperança é o introito à fé, o inicio da salvação. Ora, a salvação se opera pela fé, que nos justifica. Logo, a esperança precede a fé.

2. Demais. – O que entra na definição de uma coisa deve ser algo de primário e de mais conhecido que ela. Ora, a esperança entra na definição da fé, como claramente o diz a Escritura: É a fé a substância das causas que se devem esperar. Logo, a esperança é anterior à fé.

3. Demais. – A esperança precede o ato meritório; pois, diz o Apóstolo, o que lavra deve lavrar com esperança de perceber os frutos. Ora, o ato de fé é meritório. Logo, a esperança precede a fé.

Mas, em contrário, a Escritura: Abraão gerou a lsaac, isto é, a fé, à esperança – diz a Glosa.

SOLUÇÃO. – A fé, absolutamente falando, precede a esperança. Pois, o objeto desta é um bem futuro difícil, mas possível de ser adquirido. Por onde, para esperarmos é preciso o objeto da esperança nos seja proposto como possível. Ora, esse objeto é, de um modo a felicidade eterna; e de outro, o auxílio divino, como do sobredito resulta. E ambos esses objetos é a fé que nô-los propõe, fazendo-nos saber, que podemos alcançar a vida eterna, e que, para isso, somos socorridos pelo auxílio divino conforme àquilo da Escritura: É necessário que o que se chega a Deus creia que há Deus, e que é remunerador dos que o buscam. Por onde é manifesto que a fé precede a esperança.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Como acrescenta a Glosa, no mesmo lugar, chama-se à esperança introito à fé, isto é, ao que é crido, porque pela esperança entramos a ver o em que acreditamos, – Ou se pode dizer que é um introito à fé, porque pela esperança somos levados a nos firmar e aperfeiçoar nesta última.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O que esperamos é introduzido na definição da fé, porque o objeto próprio desta não é por si mesmo, aparente. Por isso é necessário, por um circunlóquio, seja designado pelo que dela resulta.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Nem todo ato meritório implica a esperança precedente, mas basta que a tenha concomitante ou consequente.