Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se a coragem é uma virtude especial.

O segundo discute–se assim. – Parece que a coragem não é uma virtude especial.

1. – Pois, diz a Escritura: A sabedoria ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza, significando nesse lugar, virtude, a coragem. Ora, sendo a denominação de virtude comum a todas as virtudes, parece que a coragem é uma virtude geral.

2. Demais. – Ambrósio diz: Não é de uma alma medíocre ter coragem, que, só, defende os ornatos de todas as virtudes, conserva o juízo na sua retidão e luta em incessante combate contra todos os vícios. Invicta nos trabalhos, forte nos perigos, rígida contra o prazer, dura contra as seduções, repele a avareza como um labeu, que efemina a virtude. E o mesmo acrescenta, em seguida, em relação aos outros vícios. Ora, tais conceitos não podem convir a nenhuma virtude especial. Logo, a coragem não é uma virtude especial.

3. Demais. – O nome de coragem, deriva, pelo seu sinónimo – fortaleza, de firmeza. Ora, fazer–nos proceder com firmeza é o fim de todas as virtudes, como diz Aristóteles. Logo, a coragem é uma virtude geral.

Mas, em contrário, Gregório a enumera entre as outras virtudes.

SOLUÇÃO. – Como dissemos, o nome de coragem pode ser tomado em dupla acepção. Primeiro, em sentido absoluto, importando então uma certa firmeza de ânimo. E, nesta acepção é uma virtude geral; ou antes, é a condição de todas as virtudes. Pois, como diz o Filósofo, é próprio da virtude fazer–nos agir com firmeza e constância: Noutro sentido pode ser considerada a coragem como implicando somente a firmeza em suportar e vencer os obstáculos que tornam mais difícil a firmeza, isto é, no caso de alguns perigos graves. Donde o dizer Túlio, que a coragem consiste em afrontar deliberadamente os perigos e sofrer os trabalhos. E assim, é considerada unia virtude especial por ter matéria determinada.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Segundo p Filósofo, o nome de virtude significa a perfeição última de uma potência. Pois, num sentido, chama–se potência natural aquela que nos torna possível resistir aos obstáculos destruidores dela. Noutro sentido, a que é princípio de agir. Por onde, sendo esta última acepção a mais comum, o nome de virtude, significando a perfeição última de tal potência, é comum; pois, a virtude, comum ente considerada não é mais que um hábito que nos torna possível agir bem. Mas, enquanto implica a perfeição última da potência, no primeiro sentido, que é um sentido certamente mais especial, aplica–se à virtude especial da coragem à que compete opor–se firmemente a qualquer obstáculo que se lhe oponha.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Ambrósio considera a coragem em sentido lato, em que implica a firmeza de alma pronta a enfrentar qualquer obstáculo. E contudo, mesmo como virtude especial com determinada matéria, ajuda–nos a resistir ao obstáculo de todos os vícios. Pois, quem pode suportar com firmeza o que é dificílimo de tolerar, há de, por consequência, ser capaz de resistir a menores dificuldades.

RESPOSTA À TERCEIRA. – A objeção colhe, tratando–se da coragem no primeiro sentido referido.