Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se a pertinácia se opõe à perseverança.

O segundo discute–se assim. – Parece que a pertinácia não se opõe à perseverança.

1. – Pois, diz Gregório, que a pertinácia nasce da vanglória, Ora, a vanglória não se opõe à perseverança, mas antes, à magnanimidade, como se disse. Logo, a pertinácia não se opõe à perseverança.

2. Demais. – Se se opõe à perseverança, ou é por excesso ou por defeito. Ora, não se opõe por excesso, porque também o pertinaz cede a algum prazer e a algum sofrimento, pois como diz o Filósofo, alegram–se os vencedores, mas se as suas opiniões aparecem fracas contristam–se. Se, por outro lado, se opusesse por defeito, ela seria o mesmo que a efeminação, o que é falso. Logo, de nenhum modo a pertinácia se opõe à perseverança.

3. Demais. – Assim como o perseverante permanece no bem, não obstante os sofrimentos, assim também, o continente e o temperante nele permanecem, vencendo os prazeres; o forte, vencendo os temores; e o pacífico, as iras. Ora, pertinaz se chama quem persiste diuturnamente em algum ato. Logo, a pertinácia não se opõe mais à perseverança que às outras virtudes.

Mas, em contrário, diz Túlio, que a pertinácia está para a perseverança como a superstição, para a religião. Ora, a superstição se opõe à religião, como se disse. Logo também a pertinácia à perseverança.

SOLUÇÃO. – Como diz Isidoro, chama–se pertinaz quem se apega impudentemente às coisas, como que segurando a todas tenazmente. O qual também se chama pervicaz, porque persevera no seu propósito até a vitória; pois, os antigos chamavam vicia ao que nós chamamos vitória. E a estes o Filósofo chama ischyrognomones, isto é, apegados à sua opinião, ou idiognomones, isto é, de opinião própria, por perseverarem pela mais do ·que o deveram; ao passo que o efeminado se lhe apega menos do que devera; e enfim, o perseverante, tanto quanto deve. Por onde, é claro que a perseverança é digna de louvor por ser um meio termo; ao passo que o pertinaz é digno de censura, por exceder o meio termo; e enfim, o efeminado, por não o atingir.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Quem persiste excessivamente na sua opinião própria é que quer, assim, manifestar a sua excelência. E por isso essa persistência procede da vanglória como de causa. Pois, como dissemos, a oposição entre os vícios e as virtudes não se lhes funda na causa, mas, na espécie própria.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O pertinaz peca por excesso mantendo uma persistência desordenada, apesar de todas as dificuldades, mas de certo modo se compraz no fim como o forte e também o perseverante. Mas, sendo essa complacência viciosa, pela desejar demasiado e por fugir, mais do que devera, ao sofrimento, é comparável à do incontinente e do efeminado.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Embora as outras virtudes persistam contra o ímpeto das paixões, não são, contudo merecedoras de louvor, propriamente, por persistirem, como se dá com a perseverança. Pois, o mérito da continência está antes em vencer os prazeres. Por onde, a pertinácia se opõe diretamente à perseverança.