Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 3 – Se é lícito adjurar uma criatura irracional.

O terceiro discute–se assim. – Parece que não é lícito adjurar nenhuma criatura irracional.

1 – Pois, o adjuração se faz por palavras. Ora, em vão as dirigimos a um ser sem inteligência, como a criatura irracional. Logo, é vão e ilícito adjurar a criatura irracional,

2. Demais. – Pode adjurar quem pode jurar. Ora, a criatura irracional não pode jurar. Logo, parece que também não pode adjurar.

3. Demais. – Há dois modos de adjuração, como do sobredito resulta. Um, por deprecação; a esse não podemos recorrer, em se tratando da criatura irracional, que não é senhora dos seus atos. O outro é por compulsão, que também, segundo parece, não podemos empregar relativamente a tal criatura, por não termos o império sobre as criaturas irracionais. Pois, só pertence aquele de quem diz a Escritura: Porque os ventos e o mar lhe obedecem. Logo, parece que de nenhum modo é lícito recorrer à adjuração, relativamente às criaturas irracionais.

Mas, em contrário, lemos de Simão e Judas que adjuraram os dragões e lhes ordenaram se afastassem para um lugar deserto.

SOLUÇÃO. – As criaturas irracionais são levadas por um agente às suas operações próprias. Ora, a ação do ser que é levado e movido é a mesma do que age e move; assim, o movimento da seta é também uma atividade do seteiro. Por onde, a atividade da criatura irracional dependa não só dela, mas principalmente de Deus, por cuja disposição todos os seres se movem. Mas depende também do diabo que, por permissão divina, se serve de certas criaturas irracionais para fazer mal aos homens.

Assim, pois, a adjuração que empregamos relativamente à criatura irracional pode ser entendida de dois modos. – De um modo, como referente à criatura irracional em si mesma. E, nesse sentido, é vão adjurá–la. – De outro, como referente aquele por virtude do qual ela é levada e movida. E, então, de duas maneiras pode a criatura irracional ser adjurada. Primeiro, por deprecação dirigida a Deus; o que é próprio aqueles que fazem milagres por invocação divina. Segundo, por compulsão, referente ao diabo, que se serve das criaturas irracionais para nos fazer mal. E esse é o modo de adjurar da Igreja, nos exorcismos, pelos quais OS demónios ficam privados de poder, sobre as criaturas. Mas, não é Iicito adjurar os demónios, implorando auxílio deles.

Donde se deduzem claras as RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES.