Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 1 – Se o sacrilégio é violação de uma coisa sagrada.

O· primeiro discute–se assim. – Parece que o sacrilégio não e a violação de uma coisa sagrada.

1. – Pois, diz uma decretal: Cometem sacrilégio os que disputam sobre a eleição feita pelo príncipe, duvidando se é digno da honra aquele que o príncipe escolheu. Ora, isto parece que não contém nada de sagrado. Logo, o sacrilégio não importa na violação de nada sagrado.

2. Demais. – No mesmo lugar se acrescenta: quem permitir aos judeus exercerem ofícios públicos seja excomungado como sacrílego. Ora, esses ofícios nada contêm de sagrado. Logo, parece que o sacrilégio não importa na violação de nada de sagrado.

3. Demais. – Maior é a virtude de Deus que a do homem. Orâ, as coisas sagradas tiram de Deus a sua santidade. Logo, não podem ser violadas pelo homem, e portanto o sacrilégio não parece urna violação de qualquer coisa sagrada.

Mas, em contrário, Isidoro: O sacrílego é assim chamado por tirar, isto é, furtar, as causas sagradas.

SOLUÇÃO. – Como do sobredito resulta, chama–se sagrado o que é ordenado ao culto divino. Pois, assim como o que se ordena a um fim bom é bom por natureza; também o que é destinado ao culto divino torna–se por assim dizer uma coisa divina, e, portanto, é–lhe devida, de certo modo, a reverência devida a Deus. Logo, tudo o que constitui irreverência às causas sagradas constitue injúria a Deus e tem natureza de sacrilégio.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO – Segundo o Filósofo, o bem comum do povo tem algo de divino. Por isso, os antigos chefes do Estado eram chamados divinos, como de certo modo ministros da divina providência, conforme aquilo da Escritura: Porque, sendo ministro do seu reino, não julgastes com equidade. E assim, por uma extensão de sentido, o que constitui irreverência ao príncipe, como, disputar sobre a retidão do seu juízo ou se é dever obedecer–lhe, constitui sacrilégio, por uma como semelhança.

RESPOSTA À SEGUNDA. – O povo Cristão foi santificado pela fé e pelos sacramentos de Cristo, conforme àquilo do Apóstolo: Mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados. E por isso diz Pedro: Vós sois a geração escolhida, o sacerdócio real, a gente santa, o povo de aquisição. Portanto, o que constitui injúria do povo Cristão, por exemplo, ser governado por infiéis, constitui irreverência ao que é sagrado. Por isso se chama com razão sacrilégio.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Violação, aqui, em sentido lato, significa qualquer irreverência, qualquer falta de respeito. Ora, assim como a honra está em quem honra e não em quem é honrado, como diz Aristóteles, assim também, a irreverência, em quem a comete, embora em nada prejudique aquele a quem é dirigida. Logo, pelo que lhe toca, a autor da violação viola a causa sagrada, embora esta não seja violada.