Em 2025, teremos o segundo ano de comemoração do Feriado Nacional do Dia da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares. Mas o que há de comemorar nisso? Quem de fato foi Zumbi dos Palmares? Detenhamo-nos um momento sobre essa questão.
Francisco Zambi foi um dos últimos líderes do maior quilombo do período colonial brasileiro, o Quilombo dos Palmares, que hoje pertencente ao município de União dos Palmares, Estado de Alagoas. Ao lado de sua mulher Dandara, deu apoio e refúgio aos negros que conseguiam fugir das fazendas onde eram escravizados.
Isso já sabemos, mas quem de fato foi Francisco Zumbi dos Palmares e qual sua verdadeira história? Bom, ele, para o oposto do que apregoam, atuava com rigidez e truculência mortal com os negros do quilombo, muitas vezes aplicando castigos físicos aos escravos que fugiam justamente por não suportarem os castigos, empregando algumas vezes as chibatadas aos negros no tronco. A etimologia do termo “zumbi” vem de “zambe” ou “zumbe”, que significa fantasma ou face obscura. E assim agia o “chefe da resistência de Palmares”, com feições assustadoras e temperamento rude que não permitia poupar nem mesmo seus companheiros. Zumbi dos Palmares tinha dois grandes vícios, a ganância e a sede de poder. E no quilombo ele encontrou terreno propício para exercer essas debilidades, exigindo ser tratado como rei e superior aos outros ex-escravos. Além disso, ele atuava como uma espécie de “capitão do mato” trocando alguns negros fugitivos por mantimentos, dinheiro ou outras coisas que lhe apeteciam.
Francisco Zambi era perverso, prova disso é a maneira como ele morreu, encurralado por uma emboscada organizada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho que tinha sido guiado por um companheiro de Zumbi que havia conseguido fugir do quilombo. Era raro um negro que fosse para Palmares voltasse em plena saúde, pois Zumbi mandava perseguir todos os desertores e em algumas vezes mandava matá-los. Ele não era chefe de resistência, não queria a abolição da escravatura, mas apenas se revoltava em ser ele o escravo e outra pessoa ser o senhor, ele o mandado e outro o mandante. Tornando-se chefe, pôde se tornar senhor e mandante.
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Mas por que venerá-lo como figura nacional e símbolo de abolição sendo que ele era o completo oposto do que lhe atribuem? Por que não honrar a memória de outros abolicionistas como André Rebouças, Joaquim Nabuco, Luís Gama ou a própria Princesa Isabel? A resposta é simples: Zumbi dos Palmares reforça o ideal revolucionário e serve de palco para a militância que hoje os movimentos de esquerda fazem, montando um cenário hipotético perfeito para formar um hoje desregulado com base em um ontem corrompido.
André Rebouças foi exímio na defesa da causa abolicionista, alforriou muitos escravos, fez diversas alocuções aos fazendeiros, pedindo que alforriassem quantos escravos conseguissem. Era amigo da Princesa Isabel e fez um projeto magnífico de integração dos negros na sociedade após a abolição, propondo distribuição de terras do Estado para os negros, e, no entanto, sua memória é vilmente esquecida. Joaquim Nabuco, que fora um dos maiores abolicionistas, também é atropelado pela esquerda, pois pensam eles (de incautos que são), que um homem branco da elite não pode servir de exemplo na luta contra o racismo. E a saudosa Princesa Isabel, que num ato honroso assinou a Lei Áurea, também é diminuída a quase nada ou a lacaia de interesses exteriores. Luís Gama, advogado culto e fundador do Jornal O Correio Paulistano, ex-escravizado e vendido por seu próprio pai quando tinha apenas 10 anos de idade, também não tem prestígio dos revolucionários.
Os verdadeiros heróis da causa negra abolicionista são esses, e não um que foi tão escravocrata quanto qualquer outro senhor de engenho. Enquanto os brasileiros não passarem a honrar a memória de seus grandes, não será possível discutir qualquer ideia ou difundir a Consciência Negra (seja lá o que querem dizer com isso). A verdadeira conquista foi a da Lei Áurea, por isso o dia que tem por obrigação ser feriado nacional é 13 de maio, e não 20 de novembro. Não há possibilidade de se erradicar o racismo enquanto não houver quem diga que tanto os negros quanto os brancos são filhos de um mesmo Pai, que é Deus, e não se poderá combater nenhum preconceito enquanto não se tiver em mente que o caráter acidental do homem, a cor, não sobrepõe o caráter essencial que é a alma imortal e incorruptível.
Luís Gustavo Luchesi