Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 2 – Se a adoração implica atos corpóreos.

O segundo discute–se assim. – Parece que a adoração não implica atos corpóreos.

1. – Pois. diz a Escritura: Os verdadeiros adoradores hão–de adorar o Pai em espírito e verdade. Ora, o que fazemos com o espírito não implica atos corpóreos. Logo, a adoração não implica nenhum ato corpóreo.

2. Demais. – O nome de adoração vem de oração. Ora, esta consiste principalmente em atos interiores, conforme aquilo do Apóstolo: Orarei com o espírito, orarei também com a mente. Logo, a oração implica sobretudo atos espirituais.

3. Demais. – Os atos corpóreos pertencem ao conhecimento sensível. Ora, não atingimos a Deus pelos sentidos do corpo, mas, pela percepção mental. Logo, a adoração não implica atos corpóreos.

Mas, em contrário, àquilo da Escritura –­ Não as adorarás nem lhes darás culto – diz a Glosa: Nem lhes darás culto com o afeto nem adoração com o corpo.

SOLUÇÃO – Como diz Damasceno, sendo compostos de duas naturezas, a intelectual e a sensível, devemos tributar a Deus dupla adoração, a saber, a espiritual, consistente na devoção interior da mente; e a corporal, uma humildade externa do corpo, Ora, sendo em todos os atos de latria, o exterior referente ao interior, como ao mais principal, por isso, fazemos a adoração exterior visando o interior. De modo que, pelas mostras de humildade, que corporalmente damos, despertemos o afeto que nos leva a nos sujeitarmos a Deus. Pois, é–nos conatural partir elo sensível para chegar ao inteligível.

DONDE À RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – Também a adoração corporal se torna espiritual, por proceder desta e se lhe ordenar a ela.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Assim como a oração existe primordialmente no espírito e, depois, exprime–se por palavras, como dissemos, assim também a adoração consiste principalmente na reverência interna a Deus: e secundariamente em certos sinais corpóreos de humildade. Assim, genuflecarmos para significarmos a nossa fraqueza em face de Deus: e nos prosternamos como para confessar que, de nós mesmos, nada somos.

RESPOSTA A TERCEIRA. – Embora pelos sentidos não possamos atingir a Deus, contudo, os sinais sensíveis despertam a nossa mente fazendo–a tender para ele.