Capela Santa Maria das Vitórias

Missa no rito romano tradicional em Anápolis

Art. 4 ─ Se as penas do purgatório são voluntárias.

O quarto discute-se assim. ─ Parece que as penas do purgatório são voluntárias.

1. ─ Pois, os do purgatório tem o coração reto. Ora, a retidão do coração consiste em conformarmos a nossa vontade com a de Deus, como diz Agostinho. Logo, querendo Deus puni-las, é voluntariamente que lhe sofrem a pena.

2. Demais. ─ Todo homem sensato, querendo um fim, quer os meios para chegar a ele. Ora, os do purgatório sabem que não podem chegar à glória, antes de sofrerem a pena. Logo, a querem.

Mas, em contrário. ─ Ninguém é liberado de uma pena que sofre voluntariamente. Ora, os do purgatório pedem para se livrar dele, como se conclui de muitas narrativas de Gregório. Logo, não suportam essa pena voluntariamente.

SOLUÇÃO. ─ De dois modos podemos dizer que um ato é voluntário.

De um modo, por vontade absoluta. E então nenhuma pena é voluntária, pois, por natureza a pena é contrária à vontade.

De outro modo, por vontade condicionada; assim sofremos voluntariamente uma queimadura para alcançarmos a saúde. E então, certas penas podem ser voluntárias. ─ Primeiro, porque por ela adquirimos um bem. E assim, a própria vontade assume uma determinada pena, como no caso da satisfação. Ou também quando aceitamos de bom grado uma pena e não quereríamos que ela não se cumprisse; tal o caso do martírio. ─ De outro modo, porque, embora da pena nenhum bem nos resulte, contudo sem ela não podemos alcançar o bem; assim, no caso da morte natural. E então a vontade não assume a pena e quereria livrar-se dela; mas pela suportar, considera-se voluntária. E neste sentido, voluntária é a pena do purgatório.

Certos porém dizem que de nenhum modo é voluntária a pena do purgatório, porque os que lá estão ficam absorvidos por ela, a ponto de não saberem que são purificados e se julgarem condenados. ─ Mas isto é falso, porque se não soubessem que hão de ser libertados, não pediriam, como frequentemente fazem, os sufrágios.

Donde se concluem as respostas às objeções.